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Archive for junho \22\UTC 2010

A falta de seringa para aplicação de insulina em portadores de diabetes nos postos de saúde da Capital deve ser resolvido nesta semana. Pelo menos é o que prevê a Secretaria Municipal de Saúde. Além desta item, pacientes relatam a falta de material para curativos e medicamentos como os para controle da hipertensão.

Um morador do bairro Agronômica, que preferiu não se identificar, conta que ao procurar remédios para a mãe e para a filha foi informado de que  precisaria comprá-los.”Alguma coisa sempre falta, é um absurdo”, diz.

Em algumas regiões de Florianópolis, como o Norte da Ilha, o atendimento também está prejudicado em razão do estado de greve decretado pelo Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis).

Segundo a diretora de comunicação do sindicato, Paula da Cunha, na área da saúde e reivindicação é quanto ao reajuste das gratificações para os técnicos de enfermagem e auxiliares. “No ano passado somente quem tinha ensino superior conquistou este direito e nossa luta é para que ele seja estendido para o nível médio”, afirma. Os servidores municipais da saúde fazem assembleia amanhã para avaliar as propostas do Executivo.

Compra ja foi providenciada

Quanto à falta de seringas, a responsável técnica de enfermagem da secretaria, Cilene Soares, informou que a compra de 59 itens para os postos já foi providenciada e a distribuição deve ocorrer até o final desta semana. “Tivemos alguns itens, em especial, as seringas de insulina, revogados pelo pregão, pois os produtos não atendiam as nossas necessidades. Assim, conseguimos um termo de dispensa da licitação para compra de 160 mil seringas válidas para quatro meses e mais um pregão no qual constam um quantidade de itens necexssários por seis meses, ou seja, até o final do ano não deve faltar material”, afirma. (Notícias do Dia, 22/6)

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Estudo do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora investiga diferenças entre a “experiência espiritual” e o transtorno mental

Médium Chico Xavier

Ter visões, escutar vozes e sentir a presença de seres não visíveis são consideradas manifestações de “mediunidade” (suposta capacidade humana que permite a comunicação entre humanos e espíritos), mas também podem ser interpretadas como sintomas de esquizofrenia (doença mental caracterizada por alucinações). Diferenciar uma coisa da outra é o objetivo de um estudo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Infelizmente, muitas vezes pessoas portadoras de transtornos mentais abandonam seus tratamentos médicos pensando ter apenas experiências espirituais ou poderes sobrenaturais, o que é um erro que deve ser evitado, pois podem haver graves consequências para os pacientes e para terceiros, observa o orientador da pesquisa e diretor do Nupes, Alexander Moreira-Almeida. Denominada ‘Um estudo prospectivo para o diagnóstico diferencial entre experiências mediúnicas e transtornos mentais’, a investigação teve início em abril do ano passado e está na fase de coleta de dados, com conclusão prevista para o fim de 2011.

O trabalho faz parte da tese de doutorado em saúde brasileira do também professor da UFJF Adair Menezes Júnior. A pesquisa investiga a mediunidade em um contexto espírita, não pretendendo fazer comparações com vivências semelhantes que ocorrem em outros grupos religiosos , delimita.

A metodologia prevê a avaliação de 100 pessoas que, ao buscar ajuda em centros espíritas, são identificadas como médiuns pelos atendentes. Os indivíduos são submetidos a entrevistas que avaliam diversos aspectos psicológicos e psiquiátricos. Depois de um ano, as mesmas pessoas são entrevistadas novamente para avaliar como foi a evolução de suas vivências e das variáveis psicológicas e psiquiátricas investigadas.

A mediunidade está presente ao longo da história em praticamente todas as civilizações, com registros de fazer parte da base de grande parte das religiões. Sendo assim, é uma experiência humana que precisa ser melhor investigada , justifica Alexander Almeida.

Critérios

Com base em pesquisas anteriores com médiuns e em uma ampla revisão da literatura, os pesquisadores identificaram nove critérios que podem ser úteis na diferenciação entre uma experiência espiritual saudável e um transtorno mental.

São eles: ausência de sofrimento psicológico, ausência de prejuízos sociais e ocupacionais, duração curta da experiência, atitude crítica (ter dúvidas sobre a realidade objetiva da vivência), compatibilidade com o grupo cultural ou religioso do paciente, ausência de comorbidades (coexistência de doenças ou transtornos), controle sobre a experiência, crescimento pessoal ao longo do tempo e uma atitude de ajuda aos outros.

A pesquisa do Nupes é uma continuidade de outro trabalho do professor Alexander. Em 2001, ele verificou a saúde mental de 115 médiuns espíritas de nove centros espíritas selecionados aleatoriamente na cidade de São Paulo.

Eles foram entrevistados com base em questionários psiquiátricos padronizados, desenvolvidos pela Organização Mundial de Saúde. O estudo concluiu que os médiuns apresentaram baixa prevalência de problemas psiquiátricos e bom ajustamento social, com alta escolaridade e baixo desemprego.

Além disso, o trabalho evidenciou que a maioria dos médiuns teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância e estas, na fase adulta, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias que não necessariamente implicam diagnóstico de esquizofrenia. Outra conclusão importante da pesquisa é que a mediunidade se constitui numa vivência diferente do transtorno de personalidade múltipla.

“Psicografia”

Em 2008, em parceria com o Centro de Espiritualidade e da Mente, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, os pesquisadores do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade da UFJF captaram imagens do cérebro de médiuns em dois momentos distintos: durante o ato de psicografar (capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens “ditadas por espíritos”) e ao escrever um texto de própria autoria, fora do alegado “estado mediúnico”.

O objetivo desse estudo é determinar se a psicografia está associada a alterações específicas na atividade cerebral e buscar compreender melhor a experiência mediúnica, identificando o padrão de ativação das diversas áreas cerebrais durante a psicografia , explica Alexander. Foram avaliados 10 médiuns sem transtornos mentais e com experiência em psicografia. Eles foram submetidos a uma tomografia. Os resultados da pesquisa serão publicados nos próximos meses. (Correio Braziliense, 21/6)

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Sessão única durante a cirurgia é eficaz para tumores em fase inicial. Pesquisa mostra que a aplicação tem resultado semelhante ao do tratamento tradicional, feito em cinco semanas

Uma única dose de radioterapia, aplicada logo após a retirada do tumor, é tão eficaz contra o câncer de mama quanto o tratamento convencional, feito em 30 sessões externas. A conclusão é de um estudo que envolveu 2.232 mulheres com câncer ductal invasivo (o mais comum) submetidas à cirurgia conservadora da mama. Elas tinham, em média, 63 anos, e 86% dos tumores tinham menos de 2 cm (estágio inicial). Os resultados foram publicados no Lancet.

Segundo os autores do estudo, da University College London, na Inglaterra, 90% das recorrências do câncer são no mesmo quadrante de onde o tumor é retirado -por isso, uma só sessão após a cirurgia seria eficiente.

As mulheres foram divididas em dois grupos: parte recebeu radioterapia intraoperatória em dose única e parte fez radioterapia externa convencional, de frações diárias durante cinco semanas. Todas foram acompanhadas por quatro anos. As taxas de recorrência do tumor foram similares: seis no primeiro grupo e cinco no segundo. Além disso, a radiação intraoperatória foi menos tóxica para as pacientes.

“Os resultados são encorajadores. A intenção da dose única é evitar que a mulher receba radioterapia externa, pois há menos efeito colateral [já que a radiação é localizada, protegendo os tecidos saudáveis]”, diz Maria Aparecida Conte Maia, diretora do serviço de radioterapia do Hospital A. C. Camargo. Maia testa a técnica há cinco anos no hospital -mais de cem mulheres já receberam o tratamento localizado.

“A dose aplicada é uma paulada, o equivalente a 30 dias de radioterapia convencional. Mesmo assim, os nossos resultados mostram que há beneficios”, afirma.

SELECIONADAS

O método não é indicado para todas as mulheres com câncer de mama. Ele é restrito para aquelas com tumor único, em estágio inicial (menos de 3 cm) e que não tenha atingido as axilas.

“O método não aumenta a curabilidade nem o controle local da doença”, pondera Eduardo Weltman, coordenador da radioterapia do hospital Albert Einstein.

Célia Viegas, subchefe do serviço de radioterapia do Inca (Instituto Nacional de Câncer), é cautelosa ao avaliar os resultados. (Folha, 21/6)

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O fio de náilon Emana, de poliamida 6.6, desenvolvido pela subsidiária brasileira da Rhodia, chega ao mercado com um aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que certificou as funções terapêuticas do produto, ativando a circulação do sangue na pele e reduzindo celulites, quando utilizado por um período diário de 6 horas.

A companhia informa que realizou um amplo estudo cientifico que concluiu que o uso de roupas com o produto ao longo de 60 dias resultam em um aumento de 8% na elasticidade da pele e reduz a celulite.

Ainda segundo a Rhodia, o fio Emana tem cristais bioativos em seu interior, que ativam a microcirculação da pele, amenizando a fadiga muscular, melhorando a performance física e o equilíbrio térmico.

Além disso, na prática esportiva, é possível uma redução média de 35% no acúmulo de ácido láctico no músculo, uma das causas da fadiga muscular. Já há confecções utilizando o fio em suas roupas.

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Pediatras e psiquiatras se unem para cuidar da saúde mental de crianças de 0 a 6 anos

Do nascimento à adolescência, a criança terá no mínimo 20 consultas com o pediatra, para avaliar sua saúde física e prevenir doenças. Já a saúde mental só será percebida se virar um problema para pais e mães, a maioria refém do modo de vida contemporâneo, em que predominam o estresse, as muitas horas fora de casa, as dificuldades para impor limites e, muitas vezes, a terceirização da educação a babás e escola. Os reflexos da modernidade e da competitividade incidem sobre os filhos.

No corre-corre da rotina, são cada vez mais cedo submetidos a provas rígidas, precisam dar conta de grande quantidade de deveres de casa, têm menos tempo para brincar e muitas vezes isolam-se em frente a telas de TV, videogames, computadores.

Mas algumas mudanças já podem ser vislumbradas nesse cenário. Até o fim do ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria, atendendo a um pleito antigo de psiquiatras da área infantil, começará a capacitar os pediatras para que eles identifiquem também a quantas anda a saúde mental da criança.

Um dos objetivos é diagnosticar precocemente problemas graves, como o autismo, para o tratamento ser iniciado imediatamente. Mas o desafio não se restringe às patologias: o pediatra também será fundamental para perceber comportamentos inadequados e dificuldades dos pequenos, como agressividade, problemas de aprendizagem, ansiedade e medos. E poderão passar a bola para o psiquiatra orientar a família no tratamento.

É muito importante acompanhar as crianças entre 0 e 6 anos, para percebermos os sinais de alerta. Muitas vezes, a criança está só passando por uma fase mais difícil porque vai ganhar um irmãozinho e orientamos a família a ajudá-la. Outras vezes, há uma dificuldade simples que a impede de avançar na escola e ninguém percebe.

E há também casos mais graves, como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e autismo. O bacana é que todas essas crianças que vão ao ambulatório são acompanhadas até os 15, 16 anos – diz a psiquiatra Gabriela Dias, coordenadora do Ambulatório Pré-Escolar da Santa Casa, autora junto com o marido e psiquiatra Fabio Barbirato, chefe do Setor de Psiquiatria Infanto-Juvenil da Santa Casa, de “A mente de seu filho” (Agir), um guia para a família estimular as crianças e identificar distúrbios psicológicos na infância.

Ansiedade atinge crianças pequenas

Ok, saúde mental é importantíssima, mas será que crianças tão novas precisam realmente de um acompanhamento? Segundo Barbirato e Gabriela, sim. Primeiro, porque nesta fase, até os 6 anos, é possível prevenir problemas mais graves no futuro, só com a terapia familiar e orientações simples, e evitar que um probleminha vire um problemão. E depois porque pesquisas internacionais, como a coordenada pela psiquiatra americana Hellen Egger, mostram que cerca de 10% das crianças entre 0 e 6 anos têm algum transtorno psiquiátrico grave, que causa grande comprometimento em suas vidas.

– Pouco se falava de ansiedade e depressão na infância e hoje já sabemos que 10% das crianças sofrem do problema. É duas vezes mais frequente na infância que TDAH e autismo. E, segundo a Organização Mundial de Saúde, ansiedade e depressão são muito mais incapacitantes na vida adulta do que qualquer outra doença – explica Barbirato.

Mas aquela criança agitada, ansiosa, ligeiramente estressada se enquadra nesses 10%? – Não – garante Gabriela. – Nesses 10% é quando ocorre o comprometimento: a criança que não quer mais ir à escola, sair de casa, ver amigos.

Jéssica, de 9 anos, paciente da Santa Casa, faz parte dessa porcentagem. Diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada, ela é tratada com terapia: – Eu sou muito ansiosa, perco o sono, tenho bruxismo. Estudo, sei a matéria, mas sempre acho que vou me dar mal na prova. E fico estudando mais e mais.

Vitoria, de 9 anos, de olhar sério e poucos sorrisos, sente um enorme complexo de inferioridade, como definiu sua tia, apesar de muito inteligente. É super-responsável, preocupada ao extremo, e agora acha que tem poucos amigos na escola. – Eu tinha algumas amigas, elas arrumaram novas e eu fiquei sobrando. Agora estou me esforçando para fazer outras amizades – conta.

Dados epidemiológicos apresentados no Congresso da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência em 2007 mostram que os transtornos de ansiedade são os mais comuns na fase pré-escolar, seguidos por transtorno opositivo-desafiador, TDAH e depressão.

– Mas o foco principal do ambulatório préescolar e desse trabalho integrado com os pediatras não é a doença. Queremos, sim, identificar logo alterações de temperamento, reconhecer aquele que é mais introspectivo, o mais agressivo, os problemas de convivência em grupo, as dificuldades de cognição, a birra frequente, os comportamentos inadequados, para ajudar a família.

O tratamento consiste basicamente na orientação aos pais. Temos que ouvir a família e saber que nela está a chave da mudança – destaca Barbirato. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo Vaz, é o pediatra quem entende de desenvolvimento infantil e daí a importância da parceria com o psiquiatra. As etapas do desenvolvimento cognitivo e físico são muito individuais e compreendem uma faixa etária extensa, mas alguns marcos – como uma criança de 1 ano e meio não estar falando nada – não podem ser desprezados. E compreender essas etapas, serviço que o livro de Barbirato e Gabriela destrincha para os pais, ajuda tanto a não minimizar os diagnósticos como também a não maximizá-los.

– O desenvolvimento do cérebro é muito importante até os 6 anos, mas principalmente até os 3. Quem não recebe afeto nos primeiros anos de vida dificilmente vai gostar do outro. O pediatra precisa entender a dinâmica da família. Temos 35 mil pediatras no Brasil. Se eles estiverem treinados para identificar doenças ou problemas de comportamento da criança, tudo pode ficar mais fácil – explica Vaz, que destaca o trabalho do pediatra Ricardo Halpern, presidente do Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP.

– Houve uma mudança grande no estilo de vida dos pais e dos filhos. E há uma busca desenfreada pelo sucesso. Isso gera um impacto sobre a saúde mental das crianças. ( O Globo, 20/6)

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Médico ensina como se manter em forma e se proteger da arteriosclerose, a principal causa de infarto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 2040 o índice de doenças cardiovasculares no Brasil deve aumentar em 250%. Hoje, 300 mil brasileiros morrem anualmente por causa desses problemas. E de 14% a 25% dos infartos ocorrem sem sinal de dor. Além disso, 30% dos brasileiros são hipertensos, e, de cada cem, apenas de 25 a 30 têm a doença controlada. Com o estresse, o excesso de informações e a vida sedentária, o coração fica ainda mais sobrecarregado.

Uma hora começa a falhar. O médico Cláudio Domênico, doutor em cardiologia pela UFRJ e membro do Colégio Europeu e Americano de Cardiologia, diz que medidas simples ajudam a proteger não só o coração, mas os demais órgãos. Ele lançou o guia “Detalhes” – que distribui a seus pacientes e amigos – com dicas de bem-estar. Nesta entrevista, ele ensina como melhorar a qualidade de vida.

ESTILO DE VIDA: “Um coração saudável mantém os outros órgãos saudáveis. Se o coração vai mal e bombeia sangue em quantidade insuficiente, o cérebro, os rins e o pâncreas sofrem. Daí a importância de prevenir e tratar a arteriosclerose, doença que pode começar precocemente e piorar, dependendo de estilo de vida e hábitos alimentares.

Hoje há maior consumo de fast-foods, de produtos com mais corantes, antibióticos e hormônios. E, com os avanços tecnológicos, a vida tornou-se confortável demais; antes as pessoas se mexiam mais. O ideal é associar exercícios aeróbicos, como corrida, caminhada e natação, ao alongamento e à musculação (com orientação de profissional de educação física), que retarda a perda progressiva de massa muscular. Exames são importantes, mas é fundamental que motivemos nossos pacientes a mudarem seu comportamento em benefício de sua saúde

HORA DO CHECK-UP: “Pessoas sem sintomas e histórico de doença cardiovascular podem iniciar o check-up clínicocardiológico a partir dos 35 anos. A avaliação inclui exame de sangue completo, teste de esforço, eletrocardiograma, consulta oftalmológica, ginecológica ou urológica. Se a pessoa quer praticar atividade física mais intensa, o médico deve incluir o teste de esforço e o ecocardiograma. É uma medida para tentar prevenir a morte súbita, cuja principal causa é a hipertrofia anormal do coração, que pode causar arritmias malignas. Apenas o exame clínico pode ser insuficiente para detectar essa alteração.

Já o teste de esforço mostra, entre outras coisas, o comportamento da pressão em repouso e no exercício, o condicionamento físico, os sintomas e as arritmias na prática da atividade física. Por exemplo, a queda de pressão num esforço pode indicar entupimento grave de artérias coronárias”.

OUTROS EXAMES: “Em pacientes com mais de dois fatores de risco cardiovascular, como diabetes, colesterol alto, hipertensão, histórico de doença coronária precoce e medida de cintura do quadril acima do normal (até 0,9 para homens e 0,85 para mulheres; a gordura no abdômen é a mais nociva) recomenda-se a tomografia de tórax com escore de cálcio coronário e o ultrassom das carótidas.

A angiorressonância do crânio é indicada para pessoas com histórico de aneurismas no cérebro. Os exames mostram o que o médico William Osler já dizia: “O homem é tão velho quanto suas artérias”. Isto é, o que se observa é que a idade vascular nem sempre corresponde à sua idade cronológica”.

GORDURAS NO SANGUE: “Ter a fração de bom colesterol, o HDL, baixa é tão perigoso quanto ter o LDL, a gordura má, alto. E os medicamentos que existem para aumentar o HDL são pouco eficazes e têm efeitos adversos. Portanto, é melhor tentar elevar o HDL praticando atividade física regularmente e se alimentando de forma saudável, com orientação de nutricionista, até para evitar as dietas da moda. O ideal é que o HDL represente pelo menos 25% do colesterol total. Com relação aos triglicerídeos, esta gordura tem relação com o aumento do açúcar – a glicose – no sangue. Os triglicerídeos podem ser reduzidos com o uso de drogas do tipo fibratos, porém elas não devem ser associadas rotineiramente a estatinas (receitadas para baixar colesterol), porque essa combinação afeta os rins. Então devemos tratar primeiro a alteração mais grave.”

NOVOS MARCADORES: “Um marcador muito estudado é a proteína C-reativa (a PCR). Quando está alta, indica inflamação em algum órgão. Esse é o problema de usá-la, porque não é específica para o coração. Pode estar alterada numa infecção por vírus ou num infarto. Mas estudos mostraram que pacientes sem diagnóstico de doença coronária e que apresentavam PCR acima de 2 se beneficiavam de estatinas. Então é preciso avaliar melhor esse marcador”.

HIPERTENSÃO E CÂNCER: “Quem tem pressão alta deve ser avaliado individualmente. Esta semana saíram estudos relacionando o uso de drogas bloqueadoras dos receptores da angiotensina ou BRA (um dos mais receitados) a risco moderado de câncer. Porém, são necessárias novas pesquisas. Para cada caso há um tratamento, dependendo da avaliação médica. Geralmente, o uso isolado de um único fármaco só funciona em casos leves. Não há receita de bolo”.

CLÍNICO OU CIRÚRGICO: “De maneira geral, quem precisa de implante de três ou mais stents é candidato à cirurgia de revascularização do miocárdio. Por outro lado, pacientes tratados com angioplastia tendem a se descuidar com o tempo, voltam a se alimentar mal, a levar vida sedentária e suas artérias vão se obstruindo. Já os operados aderem melhor ao tratamento. Talvez porque se lembrem dos dias no CTI, no pós-operatório”.

SONO RELAXANTE: “É essencial para o coração dormir bem. Alguns indivíduos chegam ao consultório se queixando de cansaço e acreditam que o coração está falhando.

Quando investigamos, descobrimos que o problema está associado a distúrbios do sono, como apneia, que causa várias paradas respiratórias por alguns segundos, com queda de oxigenação, aumento de pressão, arritmias, falhas de memória, sonolência durante o dia. Às vezes basta melhorar a qualidade do sono para o coração ficar bem”.

SAÚDE DA BOCA: “Cuidar da boca também é importante para o coração. Muitas das bactérias que vivem na cavidade oral entram no sangue e atingem o coração, o que pode ser perigoso em certos casos, como prolapso de válvula. Estudos com pacientes submetidos à angioplastia indicaram que a mesma espécie de bactéria encontrada no cateter balão vivia na boca”.

DISFUNÇÃO ERÉTIL: “A disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de que as artérias estão mal ou entupidas. Há drogas para tratar a dificuldade de ereção, e uma restrição é para cardíacos que tomam nitratos. E não adianta tratar apenas a disfunção. É preciso avaliar o paciente de forma geral, inclusive com relação à necessidade de reposição hormonal, com testosterona”.

CUIDADO NA MENOPAUSA: “O efeito protetor do estrogênio ao coração diminui na menopausa. Estudos mostraram que a reposição hormonal nesse período pode ser perigosa, quando feita sem controle. Se a mulher não tem queixas graves, recomendo que evite a reposição. Mas se sofre com irritabilidade, ressecamento da pele, ondas de calor etc, deve consultar o ginecologista para saber se vale a pena tomar os hormônios. Se teve infarto, o cuidado deve ser maior”.

CUIDAR DA MENTE: “Além do físico, é importante cuidar da mente. Muitos pacientes vivem sob estresse, carga enorme de informações, de poluição mental. É essencial controlar o estresse, ter momentos de lazer. Recomendo que as pessoas leiam mais para relaxar, mas não livros técnicos ou apenas jornais. A leitura de livros como romances é como uma “musculação” para o nosso cérebro, e o coração agradece.” (O Globo, 20/6)

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Proposta já aprovada por duas comissões obriga modelos a apresentarem atestado médico para desfiles e campanhas publicitárias

A modelo Stella Lopes, 21 anos, 1,80m e 58kg

Do alto dos seus 1,80m e com 58km, a modelo Stella Lopes, 21 anos, está dentro dos padrões de magreza normalmente exigidos pelas passarelas. Eles são assim desde que o mundo da moda existe , diz. Entretanto, no que depender da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, as medidas padronizadas do universo fashion não serão mais as principais exigências para desfilar. De acordo com proposta aprovada no início de maio, todos os modelos terão de apresentar atestado médico para participar de desfiles, campanhas e eventos. E mais: as agências serão obrigadas a oferecer acompanhamento físico e mental periódico aos profissionais. Para virar lei, a proposta só precisa agora de aprovação da Comissão de Constituição e Justiça.

O objetivo é estimular um ideal de beleza mais saudável e evitar casos como o da brasileira Ana Carolina Reston Marcan, que morreu em 2006 em decorrência de anorexia. A modelo de 21 anos tinha 1,74m e chegou a pesar 40kg. De acordo com o endocrinologista Júlio César Ferreira Júnior, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, o projeto é positivo. A proposta é vantajosa para os modelos. E como as agências funcionam como entrepostos para eles e geram a demanda, devem arcar com essa vigilância , acredita. Para o médico, é possível manter-se dentro das exigências do mercado sem comprometer a saúde, e a exigência de um atestado deve ajudar na compreensão dos modelos em relação a essa necessidade. Não é penitência. Com alimentação saudável e uma prática constante de atividade física, os modelos podem continuar trabalhando da mesma forma.

Vanessa Lippelt, proprietária da agência brasiliense Glam, diz que a exigência de atestado médico deve ser incentivada, já que é prática de todas as empresas o pedirem no momento da contratação. Entretanto, ela considera que deixar a cargo das agências os cuidados médicos é um ato demagógico, pois foca somente no trabalho de modelo, deixando de fora outras profissões. O problema é que a profissão de modelo está sempre na mídia. Não deve caber a nós esse acompanhamento, até porque eles prestam serviço terceirizado. Toda agência séria não exige emagrecimento a qualquer custo.

De acordo com Vanessa, a maioria das agências faz convênios com médicos, psicólogos e nutricionistas, deixando mais barato para as modelos cuidarem da saúde. Nunca tivemos casos de anorexia ou bulimia na agência. Quando vemos algo diferente, conversamos e os encaminhamos ao médico, já que ele é quem pode dizer se há algo errado , explica.

A cobrança com as modelos

Porém, as cobranças existem. Stella Lopes, por exemplo, alega ter sido coagida por uma agência paulista, onde trabalhava, a tomar sibutramina um remédio para emagrecer e controlar o peso, hoje proibido pela Anvisa , sem orientação médica. Tive vários problemas por causa da medicação e não consegui emagrecer tanto quanto eles queriam. Agora, mantenho meu peso cuidando da alimentação e fazendo exercícios , revela a modelo, que tem IMC de 17,5. A sibutramina é contraindicada até mesmo para pessoas com IMC acima de 18,5. Para quem tem o índice abaixo disso, é quase como induzir a um estado de subnutrição. Um ato completamente absurdo , alerta o endocrinologista Júlio César.

O personal trainer Gustavo Bergamaschi afirma que a individualidade deve ser respeitada e que estipular pesos e medidas não é a forma correta de atestar a saúde de ninguém. É preciso ouvir a opinião de diversos profissionais de saúde, que podem dizer se a magreza do modelo é algo genético ou um distúrbio. O profissional avalia que é preciso analisar o dia a dia deles: se dormem bem, se têm uma alimentação saudável, se praticam alguma atividade física. Caso algum desses fatores não esteja em ordem, a pessoa pode ter algum problema, independentemente de ser magra ou gorda. (Correio Braziliense, 20/6)

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