Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \28\UTC 2010

Oferta crescente de bens ecologicamente corretos esconde “lavagem verde”, na qual sustentabilidade é mero marketing. aída para “consumo consciente” é pesquisar a atuação das empresas e a atribuição de selos, afirma especialista

O consumidor brasileiro ainda enfrenta dificuldades na hora de optar por produto sustentável em seu dia a dia.

Não pela falta de produtos com essas características (leia abaixo). Ao contrário: uma das maiores dificuldades hoje é conseguir diferenciar quem é realmente sustentável de quem só usa esse argumento para vender mais, no “greenwashing” (lavagem verde, em inglês).

Recentemente, a Market Analysis divulgou resultado de pesquisa que incluiu a visita a 15 lojas (supermercados, farmácias, livrarias etc.) em busca de rótulos com apelo socioambiental. Foram encontrados 501 produtos de diferentes categorias, que, juntos, somam 887 apelos. Cosméticos e produtos de higiene pessoal lideram a lista.

Num supermercado de pequeno porte em São Paulo, a reportagem encontrou mais de 40 produtos com algum apelo semelhante. De shopping centers a lojas de material de construção, é impossível não se deparar com termos “eco” ou “planeta” associados a produtos e serviços.

Já que grande parte das marcas e produtos passaram a se autoafirmar “sustentáveis”, como diferenciar quem é quem?

“Na ausência de selos mais genéricos que garantam que não somente os produtos mas também as empresas se preocupam com esse tema, a única resposta possível é: pesquisando”, aponta Hélio Mattar, do Instituto Akatu.

DIFICULDADES VERDES

Não é uma tarefa fácil. Ao procurar informações nos sites das empresas, por exemplo, o consumidor muitas vezes terá a sensação de que aquela página pertence a uma organização socioambiental, tamanha a quantidade de dados que trazem preocupação com o planeta.

Para piorar, os relatórios de sustentabilidade divulgados pelas companhias raramente destacam aspectos negativos de seu impacto socioambiental, como problemas trabalhistas sérios ou vazamentos de resíduos.

Mas nem tudo está perdido. As redes sociais na internet, por exemplo, são consideradas uma verdadeira revolução para o consumidor em busca de informações.

Como afirma um dos autores do livro “A Empresa Transparente”, Dan Tapscott, “pessoas e instituições que interagem com as empresas estão ganhando um acesso sem precedentes a todo o tipo de informação sobre o comportamento, as operações e o desempenho corporativos”.

Os selos e certificações também são uma orientação importante. Sobretudo se concedidos por terceiros.

“O consumidor tem dificuldades em diferenciar a autodeclaração da empresa dos selos concedidos por uma terceira parte. É importante que ele também pesquise sobre selos”, diz Luís Fernando Guedes Pinto, do Imaflora, uma das certificadoras do selo FSC (Conselho de Manejo Florestal).

IDONEIDADE

Publicações com rankings e guias de sustentabilidade igualmente ajudam, desde que a idoneidade do veículo seja previamente analisada. Há também rankings promovidos por organizações ambientalistas independentes, caso do Guia de Eletrônicos Verdes, do Greenpeace.

Ainda que de maneira incipiente, grandes varejistas começam a destacar produtos com atributos de sustentabilidade. E há um esforço grande para que eles tenham preço próximo aos similares sem essa preocupação.

Isso tudo garante somente escolhas sustentáveis? “Com a quantidade de “greenwashing” existente e as dificuldades de seleção apresentadas, não há garantias de que todas as opções na hora da compra serão sustentáveis”, conclui Mattar, do Akatu.

Ao selecionar produtos com essas características, no entanto, o consumidor estará exercendo o seu maior poder: influenciar empresas e produtos nessa direção. (Folha, 27/7)

Anúncios

Read Full Post »

Eterna plataforma de políticos em campanha eleitoral, o resgate da saúde pública no Brasil não exige só a ampliação dos recursos públicos para o setor, revela auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus). A investigação, que analisou dados de 2006 e 2007, detectou estados que cumpriam o limite mínimo de investimentos previsto pelaEmenda 29 à Constituição, mas conviviam com um quadro assustador de mortes que poderiam ser facilmente evitadas com prevenção. Em outros casos, a falta de assistência básica foi agravada pelo abandono dos sistemas de vigilância epidemiológica e sanitária.

Menor estado brasileiro, com 21 mil quilômetros quadrados e população de pouco mais de dois milhões de habitantes, Sergipe integra a modesta lista de nove, entre 27 unidades da Federação, que seguiram a Constituição e investiram 12% da arrecadação em saúde. Mas, segundo o Denasus, o percentual de 12,2% não se refletiu em avanços no setor.

De 2004 e 2007, enquanto ocorria em Sergipe um “injustificável descumprimento de carga horária de médicos e enfermeiros pagos pelo SUS”, 776 bebês com menos de 1 ano morreram de diarreia, pneumonia e desnutrição. A secretária de Saúde de Sergipe, Mônica Sampaio, afirmou que a demanda por médicos no estado é “maior do que a oferta”. Ela frisou a dificuldade para que os profissionais atendam pelo SUS em cidades do interior. A respeito dos óbitos evitáveis, diz que a mortalidade infantil no estado caiu 21,6% de 2006 a 2009 devido às políticas adotadas.

– A incidência (dos óbitos) tem como causa os baixos níveis socioeconômicos da população e a falta de acesso a serviços básicos – disse.

“A saúde básica fica em segundo plano”

O mesmo dilema vive a população da Região Norte. Encravados na floresta, que transforma em epopeia a viagem do interior às capitais para aquisição de remédios de alto custo, os cinco estados da Amazônia aplicaram 12% da arrecadação em saúde em 2006 e 2007. Só que, na média, dispensaram à população o pior atendimento do país. A situação se agrava pela limitação de acesso às comunidades indígenas e ribeirinhas.

Segundo os auditores, as deficiências no Pará, que ficou no limite da lei em 2007, ao investir 11,89% das receitas em saúde, atingiram a assistência básica, a média e alta complexidades. Caiu a cobertura vacinal de BCG, hepatite B, poliomielite e tetravalente; 87% das mortes de crianças com idade inferior a 9 anos ocorreram entre os menores de 1 ano. A principal causa foi septicemia (infecção generalizada) em recém-nascidos.

A Secretaria de Saúde do Pará informou que, nos últimos três anos, dobrou o número de UTIs neonatais e passou de 45 para 165 o número de unidades de cuidados intermediários (UCIs). Além disso, diz que a cobertura do programa Saúde da Família, que inclui a assistência pré-natal, passou de 30% para 40% da população.

– O alto índice de mortalidade infantil é inaceitável e reflete a falta de assistência pré-natal e ao recém-nascido. Ainda há deficiências na assistência farmacêutica, e o pobre é obrigado a comprar remédio de uso contínuo, empobrecendo ainda mais. A má gestão é problemática, mas o Brasil é um dos países com menor investimento público entre os que mantêm sistema universal de saúde – diz o epidemiologista Jarbas Barbosa.

Para o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Junior, o quadro reflete a má gestão e falta de políticas de atenção básica: O debate conceitual do SUS é tratar a doença instalada ou prevenir. Por enquanto, de modo geral, a prevenção não é boa. Enquanto se gasta muito com alta complexidade, a saúde básica fica em segundo plano -diz Batista Júnior.

O secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Jurandi Frutuoso, diz que o atendimento básico só deve melhorar quando a União aumentar sua participação no bolo de recursos públicos para a saúde: – O gasto público em saúde por habitante é baixíssimo. Os estados aumentaram sua participação, mas a União estagnou – diz.

O governo federal repassa ao SUS R$ 59 bilhões (7,51% da Receita Corrente Líquida da União). Segundo o Ministério da Saúde, os investimentos em atenção básica cresceram 170%, de 2002 a 2009. Segundo o Denasus, de 2006 e 2007, os estados deixaram de aplicar R$ 11,8 bilhões em saúde, desviando os recursos para outras finalidades como saneamento básico; pagamento de aposentadorias e pensionistas e amortização de juros da dívida pública.

Sem contar os recursos do SUS que ficaram aplicados no sistema financeiro. (O Globo, 27/7)

Read Full Post »

Justiça dá 45 dias para o Estado reforçar o atendimento na instituição

Em 45 dias, as noves salas de cirurgia do Hospital Regional de São José, devem estar funcionando. No último levantamento, em maio, apenas quatro estavam em atividade. Além disso, o hospital precisa contratar mais um ortopedista para atender na emergência. Com isso, o serviço terá um profissional especializado 24 horas do dia.

Se as medidas não forem cumpridas, o secretário da Saúde, Roberto Eduardo Hess de Souza, e o superintendente de Hospitais Públicos Estaduais, Libório Soncini, deverão pagar multa diária de R$ 500 cada um. A determinação é do juiz José Maurício Lisboa, da unidade da Fazenda Pública da Capital, que concedeu liminar em ação civil pública do Ministério Público de Santa Catarina ajuizada em fevereiro de 2008.

Um dos principais focos da ação é o Hospital Regional, um dos maiores em número de atendimentos por causa da localização e da quantidade de acidentados no trânsito da BR-101. Um dos setores mais carentes é o da ortopedia.

Esse médico, muitas vezes, precisa realizar cirurgias de urgência ou emergência em acidentados com fraturas expostas, ocasião em que o setor de emergência é fechado, deixando outros pacientes em longas esperas diz a promotora Sonia Maria Demeda Groismann Piardi.

De acordo com Ministério da Saúde, o tempo máximo de espera de uma cirurgia de ortopedia é 4,8 dias, sob pena de pacientes com fraturas terem agravado o seu quadro e prejudicada a sua recuperação. A média de espera, em março deste ano, chegou a 13 dias, havendo casos de fratura de fêmur, que deveriam ser operadas até o dia seguinte, e que tiveram espera de mais de um mês.

Além disso, explica a promotora de justiça, o centro cirúrgico reduziu em 44,70% o número de procedimentos cirúrgicos realizadas entre 2001 e 2010 um decréscimo de mais de três mil atendimentos , levando-se em consideração os quatro primeiros meses deste ano.

Para a promotora Sonia Piardi, duas são as causas: o inadequado dimensionamento de médicos anestesistas e a falta de utilização de todas as salas de cirurgia.

Contraponto

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que pretende cumprir a determinação da liminar no prazo estipulado de 45 dias. Com relação à abertura das salas de cirurgia, o órgão esclarece que depende da contratação de médicos anestesistas, o que deverá ser feito logo, pois, segundo a assessoria, o concurso público para contratar mais médicos já foi homologado. (DC, 27/7)

Read Full Post »

A indústria do rejuvenescimento pegou carona no sucesso de séries como “Crepúsculo” e deu nisso: o lifting facial do vampiro.

O novo preenchedor facial, feito com sangue da própria cliente, foi registrado como Selphyl pela UBS Aesthetics, nos EUA. A empresa fornece o kit para preparação e aplicação do produto.

Para ganhar um ar de imortalidade “vampiresca”, a candidata coleta uma pequena quantidade de seu próprio sangue. O material é centrifugado para separar o plasma do sangue e concentrar plaquetas e fibrinas (proteínas que causam a coagulação do sangue).

O material é injetado em rugas e depressões da face. “Teoricamente, segundo estudos recentes, a injeção do material estimularia a formação de novo tecido conjuntivo”, diz o dermatologista Davi de Lacerda, de São Paulo.

Ele acredita que, apesar de ainda não existir o produto no Brasil, versões genéricas podem surgir em breve.

“O plasma gelificado pode ser obtido facilmente com uma centrífuga, sem depender de aprovação da Anvisa“, diz Lacerda. (Folha, 24/7)

Read Full Post »

Dupla discriminação e finanças são grandes problemas para portadores

Nos próximos anos, a sociedade deve enfrentar um novo desafio médico: o aumento do número de sopositivos com idade superior aos 60 anos, principalmente nos países ocidentais.

O tema se torna mais importante à medida que a primeira geração de pessoas infectadas com HIV, que recebem o tratamento com antirretovirais desde 1996, se aproxima dessa faixa etária.

Uma palestra ministrada pelo diretor da ONUAids, Gottfried Hirnschall, na 18ª Conferência Internacional sobre a Aids, em Viena, explicou que, com o avançar da idade, a convivência com o HIV pode acarretar, além dos problemas médicos, solidão e dificuldades financeiras. – Agora sãomuitos, e isso poderá dar novos enfoques em termos desaúde pública – previu. – Envelhecer com o HIV é mais que um desafio clínico, é também um desafio social, que não se deve limitar a uma parte do mundo.

Medo e preconceito Lisa Power, da organização beneficente Terrence Higgind Trust, confirma que a qualidade de vida desses portadores pode reduzir. Em entrevista com 410 soropositivos com mais de 50 anos, residentes no Reino Unido, constatou-se que muitos deles vivem isolado por temer uma dupla discriminação pela idade e pela doença.

Outro estudo realizado por Margaret HoffmanTerry, da organização independente American Academy of HIV Medicine, indica que o número de soropositivos de mais de 50 anos de idade passou de 20 mil em 1995 para 120 mil em 2005. (Jornal do Brasil, 23/7)

Read Full Post »

Campanha quer diminuir o uso do sal. Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta para redução do tempero responsável por problemas que podem levar à morte

O hábito de dar uma salgadinha a mais na comida tem de acabar. Com a campanha Eu Sou 12 por 8, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) quer reduzir drasticamente o consumo de sal no Brasil. O ideal, segundo parâmetros da Organização Mundial da Saúde, é usar, no máximo, cinco gramas por dia, o mesmo que uma colher rasa de chá. Pesquisas mostram que os brasileiros têm consumido uma média de 12 a 18 gramas diárias.

Para se ter uma ideia do que cinco gramas do produto significam na prática, um pão francês tem, em média, 1,5 grama, e uma salsicha chega a 2,5 gramas. Basta um cachorro-quente, portanto, para atingir a meta. O problema é que a maior parte das pessoas não para por aí.

– Precisamos trabalhar na prevenção. Senão, em 2050 teremos 100 milhões de habitantes com mais de 50 anos doentes, o que sairá caro para os cofres públicos – justifica o médico Carlos Alberto Machado, coordenador de Ações Sociais da SBC.

Informação para combater consumo excessivo

A arma para combater o consumo excessivo é a informação. O grande entrave é que é quase impossível, para um leigo, decifrar a quantidade de cloreto de sódio (sal de cozinha) descrita nas tabelas nutricionais dos alimentos industrializados, onde a apresentação não vem em gramas de sal, mas em miligramas de sódio.

Uma pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, realizada com hipertensos atendidos no Hospital Dante Pazzanese, constatou que 93% deles simplesmente desconheciam a diferença entre as duas substâncias. Para elucidar a questão, seria necessário fazer uma conversão matemática: 400 miligramas de sódio equivalem a um grama de sal. Então, cinco gramas de sal são 2 mil miligramas de sódio.

Para facilitar a vida dos consumidores e garantir que a população entenda a quantidade exata de sal contida nos alimentos, a SBC pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma mudança nos rótulos dos alimentos industrializados, alterando o termo cloreto de sódio pelo nome popular.

Sabor sem prejuízos

Se o brasileiro consome, em média, 12 gramas de sal por dia, podendo chegar a até 18, é possível presumir que reduzir essa quantidade para cinco gramas não será uma tarefa fácil.

– O sal tem o poder de realçar o sabor dos alimentos. Sem ele, a comida fica sem gosto. Mas isso não significa que precisamos abusar – afirma o chefe de cozinha e professor de Gastronomia Jorge Nascimento.

A dica para deixar os alimentos saborosos sem precisar abusar do sal é investir nos temperos cítricos, como vinagre, vinho, laranja e limão, além de algumas ervas, como manjericão, curry, cilantro, cominho e gengibre. Cebola, alho, cogumelos, tomates e orégano também são bem-vindos.

Os grandes vilões
– Queijos em geral
– Temperos industrializados, como ketchup, mostarda, shoyu
– Caldos concentrados e molhos comprados prontos
– Embutidos (salsicha, linguiça, mortadela, presunto e salame)
– Conservas (picles, azeitonas, aspargos, palmitos em vidro ou lata)
– Enlatados (molhos de tomate, carnes, peixes, milho e ervilha)
– Carnes salgadas (bacalhau, charque, carne seca e defumados)
– Aditivos conservantes (glutamato monossódico)
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia

Os riscos de uma doença silenciosa

Embora seja uma velha conhecida dos médicos, a hipertensão arterial vem sendo considerada uma das mais preocupantes epidemias do mundo moderno.

Na origem da doença, que no Brasil assumiu lugar de destaque entre os principais problemas de saúde pública, está o consumo excessivo de sal, aliado a estresse e fumo.

Especialistas argumentam que, reduzindo esses fatores de risco, seria possível diminuir drasticamente as chamadas mortes evitáveis, que não ocorreriam se os 30 milhões de brasileiros hipertensos – fora aqueles que desconhecem ter a enfermidade – fossem tratados adequadamente.

A hipertensão está ligada a derrames e a infartos, cada vez mais comuns no país.

Saleiro, álcool, tabaco e estresse devem ser evitados

Foi esse cenário que levou a Sociedade Brasileira de Cardiologia a lançar, em abril, a campanha Eu sou 12 por 8. A intenção é alertar para o problema e convencer a população a se prevenir, evitando o tabagismo, praticando exercícios físicos, ficando longe do saleiro, reduzindo o álcool e se estressando menos.

A ideia é chamar a atenção para uma doença que os médicos classificam como silenciosa – e, por isso mesmo, tão perigosa. Segundo o cardiologista Carlos Alberto Machado, é comum o paciente não perceber os sintomas ou confundir o que sente com outra coisa – como uma simples dor de cabeça, por exemplo. – Queremos frisar que os hipertensos devem ter o hábito de controlar a pressão e mantê-la sempre em 12 por 8. Quem não tem problemas de pressão deve medi-la duas vezes por ano.

Para Ivo Nesralla, diretor-presidente do Instituto de Cardiologia, a pressão não precisa necessariamente estar em 12 por 8 – pode até chegar a 13 por 9, dependendo do caso. O importante é que o paciente se policie para levar uma vida saudável. Isso significa sair com os amigos, rir, relaxar, amar. E, é claro, controlar o sal. (DC, 26/7)

Read Full Post »

A hepatite B é uma doença infecciosa causada por um vírus, transmitida pelo sangue e por relações sexuais. Os recém-nascidos de mães portadoras do vírus da hepatite B podem ser infectados durante o parto, pelo sangue materno, e alguns desenvolvem uma hepatite aguda que pode ser fatal. Crianças de 1 a 5 anos e adultos jovens raramente desenvolvem uma hepatite aguda, mas ficam com uma infecção crônica que leva até 30 anos para apresentar cirrose ou câncer do fígado. Sem sintomas, o portador do vírus continua transmitindo a doença.

Em 1982 foi desenvolvida uma vacina recombinante, que utiliza uma levedura modificada geneticamente, que induz a formação de anticorpos.

Em 1996 o Centro de Biotecnologia do Instituto Butantan desenvolveu uma levedura recombinante que produzia a vacina contra hepatite B. Com recursos do Ministério da Saúde, do governo do Estado de São Paulo e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi desenvolvida uma tecnologia de produção industrial, montada a fábrica e foram treinados os técnicos que cultivam o lêvedo modificado num fermentador de 1.500 litros, quebram as leveduras, isolam e purificam os vírus, usando ultracentrífugas especiais, que desenvolvem uma força 200 mil vezes a da gravidade e enormes colunas de cromatografia. Cada criança ou adulto deve receber três ou quatro doses de vacina. Com mais de 3,5 milhões de nascimentos por ano no Brasil, eram necessários mais de 15 milhões de doses de vacina por ano e progressivamente vacinar, além de todos os profissionais que têm contato com sangue, todos os jovens – o que seria inviável comprando uma vacina importada, que custava cerca R$ 100! Com a produção pelo Butantan o Ministério da Saúde recebe a vacina por cerca de R$ 1,20, o que vem permitindo vacinar todos os recém-nascidos e iniciar a vacinação dos jovens. Este ano o Butantan dobrará sua produção, fornecendo 33 milhões de doses.

Não era suficiente desenvolver a vacina que imunizava camundongos. Era necessário demonstrar que a vacina é eficaz, induzindo anticorpos, e segura em seres humanos. A vacina foi testada, a partir de 1995, em alguns voluntários do Butantan, no Centro da Saúde da Universidade Estadual Paulista e com estudantes da Faculdade de Medicina de Londrina. Com enorme pressão contra a autossuficiência nacional, foram exigidos novos ensaios clínicos, que acabaram envolvendo mais de 5 mil voluntários, conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz, pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, pelo Instituto Evandro Chagas e pelo Instituto Materno-Infantil de Pernambuco, os quais demonstraram o que já se esperava: a vacina do Butantan é segura e eficaz, comparada com uma vacina importada.

Entre 1999 e 2009, 154 milhões de doses da vacina produzida no Butantan foram distribuídas pelo Ministério da Saúde para vacinação pelos governos dos Estados e municípios. Em 2008, a Coordenadoria do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, analisando os dados, reconheceu que a vacina do Butantan, como as importadas, antes aprovada até 19 anos de idade, poderia ser usada em qualquer idade.

A prevenção da infecção dos recém-nascidos exigia testar as mulheres grávidas, para oferecer a vacina aos bebês. Esse era um processo caro e de certa forma fútil. Dizer a uma jovem que ela era portadora do vírus e que iria anos mais tarde desenvolver cirrose ou câncer, sem oferecer possibilidades de tratamento, era perverso. Mais fácil era vacinar todos os bebês ainda na maternidade. Demonstrou-se que a vacinação dos bebês nas primeiras 24 horas de vida é capaz de impedir a transmissão da mãe portadora ao recém-nascido. Lamentavelmente, a cobertura vacinal dos recém-nascidos brasileiros com a primeira dose da vacina contra hepatite B na maternidade é de apenas 40%.

No sentido de facilitar ainda mais a vacinação na maternidade, o Instituto Butantan desenvolveu uma vacina dupla, com BCG (vacina contra tuberculose, que também é administrada ao bebê na maternidade) e hepatite B. Essa vacina foi testada com sucesso pelo Departamento de Pediatria da Unicamp. Era preciso evitar a coqueluche, que é prevenida, somente a partir do quarto mês, pela vacina tríplice bacteriana (DTP). Uma nova vacina foi desenvolvida, introduzindo no DNA do BCG um gene da toxina da coqueluche, que protege em camundongos tanto para tuberculose como coqueluche. Essa vacina, tríplice – hepatite B, tuberculose, coqueluche – ainda deve ser testada, neste ano, em adultos e bebês e estar disponível em 2012. Pesquisas em andamento, em colaboração com o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, indicam que a nova vacina será mais eficaz no tratamento do papiloma da bexiga.

Cerca de 120 milhões de brasileiros com mais de 50 anos não foram vacinados quando crianças ou jovens e não o seriam com a vacina recombinante que está em produção. Essa população, exposta à hepatite B, inclui profissionais de saúde, policiais, bombeiros e outros que possam expor-se a sangue, pacientes aguardado transplantes de órgãos, imunodeprimidos e com doenças que exigem transfusões frequentes. O Butantan está pesquisando vacinas com um DNA viral com mais genes e o uso de um adjuvante que estimula a produção de anticorpos, o que resultará numa vacina mais eficaz para estes grupos mais vulneráveis à infecção pelo vírus da hepatite B. (Alexandre Precioso, médico do Hospital de Clínicas da USP, Expedito Luna, professor do Instituto de Medicina Tropical da USP e Isaias Raw, Presidente do Conselho Técnico-Científico da Fundação Butantan, Estadão, 23/7)

Read Full Post »

Older Posts »