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Archive for outubro \31\UTC 2011

Verifique o cronograma: Encontros Regionais de Planejamento Estratégico do MPSC

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Apesar de a Unimed Brasília apostar na recuperação financeira e garantir a continuidade do atendimento, usuários já planejam trocar de operadora. Conforme o Correio publicou ontem, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou a transferência da carteira de clientes em até 30 dias. Quem não quiser esperar o desenrolar da história terá de seguir as regras de portabilidade (veja quadro). Somente depois do fim do prazo estipulado para a alienação, o órgão regulador poderá decretar um regime especial de mudança de plano. A Unimed não divulga detalhes da estratégia de defesa, mas informa que acionou a Justiça para reverter a decisão. Há quatro anos, a empresa passou por situação ainda mais grave ao ter a liquidação decretada, mas conseguiu manter as portas abertas.

Desde a publicação da medida da ANS, na semana passada, usuários procuram a Unimed para cancelar o plano, com medo de serem prejudicados. Contratos que poderiam ajudar a operadora a sair do vermelho também acabaram adiados após a ordem de transferência da carteira. Gestores da Fundação Dom Cabral, eleita a quinta melhor escola de negócios do mundo, atuam para tentar salvar a Unimed em Brasília, cuja dívida, em janeiro, somava R$ 94 milhões. A empresa tem 33 anos no mercado brasiliense, onde acumula 18 mil clientes. (Correio Braziliense, 26/10)

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Criança sarnenta

O Núcleo de Educação Infantil Doralice Dias, no Bairro Vargem Grande, Norte da Ilha de Santa Catarina, será fechado amanhã e sexta-feira para desinfecção devido a um surto de sarna.

Das 266 crianças atendidas no local, 16 foram diagnosticadas com a infecção, além de dois professores. Ontem, a creche permaneceu aberta, para acolher as crianças que não tinham para onde ir porque a família não conseguiu quem cuidasse delas. O mesmo acontece hoje.

Segundo a diretora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis, Sônia Lima Fernandes, os primeiros casos de sarna já foram identificados na semana passada e os médicos do posto de saúde foram acionados para acompanhar o processo. Com o número atual de infectados, foi tomada a decisão de fechar a creche.

Vigilância manda que local seja desinfectado

A Vigilância Sanitária orientou os profissionais sobre a desinfecção do local, onde todos os objetos e brinquedos serão higienizados. Materiais como almofadas e colchões mais danificados deverão ser descartados.

Enquanto a creche não é fechada para a limpeza geral, o procedimento está sendo feito aos poucos e as crianças ficam em uma sala onde havia menos casos de sarna.

As famílias também foram orientadas pela Vigilância a fazerem a mesma desinfecção em suas casas. (DC, 26/10)

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Estado está entre os que mais têm equipamentos em funcionamento

Todos os dias, quatro catarinenses descobrem que estão com câncer de mama. A boa notícia é que comparando-se com o restante do País, SC está bem na quantidade de um importante aliado para combater a doença: os mamógrafos.

Segundo o Ministério da Saúde, SC está com todos os 64 equipamentos do SUSem funcionamento. Em Estados da região Norte, a falta de uso ultrapassa 50%. Especialistas ressaltam, porém, que falta estrutura no diagnóstico e tratamento em SC.

O número de mamógrafos no Estado é considerado suficiente, um para cada 96,5 mil habitantes. O Instituto Nacional do Câncer recomenda um aparelho para cada 240 mil. Mas a coordenadora de epidemiologia e controle do câncer do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), Senen Hauff, alerta que os aparelhos precisam funcionar bem. “Se faz exame mal feito, não adianta. Tem muita mulher que teve câncer e não se conseguiu ver nada no exame.”

Para ela, os aparelhos em todo o Estado deveriam passar pela supervisão da vigilância sanitária, com padrões técnicos de qualidade, como já aconteceem Minas Gerais e na Paraíba. A médica destaca ainda que o câncer é uma doença complexa. Em caso de suspeita, é preciso estrutura para a biópsia do que for detectado e centros cirúrgicos adequados e acompanhamento posterior. “No tratamento de câncer, a maior dificuldade, sem dúvida, é centro cirúrgico. As mulheres com câncer esperam por falta de infraestrutura”, destaca.

A presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Câncer (Amucc), que tem sede em Florianópolis, Leoni Simm, concorda que o Estado ainda precisa reduzir a demora para a retirada do câncer e, depois, para a cirurgia de reconstrução de seio. “Até a retirada, os casos vão ficando mais graves. Quando pego no início pela mamografia e com cirurgia o quanto antes, a chance de cura é maior”, conta Leoni.

O levantamento do Ministério da Saúde faz parte de um programa do governo federal que prevê o investimento de R$ 4,5 bilhões até 2014 para a redução da mortalidade de mulheres com câncer de colo do útero e de mama.

O secretário da Saúde do Estado, Dalmo de Oliveira, informou que desconhece problemas relacionados ao assunto, e que vai se posicionarem breve. Emagosto, o governo do Estado anunciou liberação de recursos para um centro cirúrgico no Cepon em janeiro de 2012. (A Notícia, 25/10)

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Os psicólogos dizem que o sentimento permanente de urgência sem justificativa é uma síndrome contemporânea – também gera problemas físicos

O alucinado coelho branco da fábula Alice no País das Maravilhas estava sempre atrasado: "é tarde, é tarde, é tarde, é muito tarde!"

O dia da gaúcha radicada em São Paulo Edi Terezinha Ramos Caldeira, de 59 anos, começa às 5 da manhã. Ela gosta de adiantar as coisas enquanto a casa dorme. Divide seu tempo entre a casa, a família e a venda de joias. Chega a atender 40 pessoas em uma semana. Não dirige, mas pouco depende de ônibus. Como a maior parte de seus clientes vive na vizinhança e em bairros próximos, Terezinha faz o percurso a pé. “Se somar o tempo que passo parada no ponto de ônibus e o percurso, sou mais rápida”, diz. Ela é mais rápida também do que o elevador. Seu principal ourives fica no 7o andar de um prédio no centro da cidade de São Paulo. Terezinha não se lembra se algum dia pegou a fila do elevador. Ela sobe de escada. “É uma barbaridade o que esse elevador demora.” As caminhadas com o peso da mala de rodinhas que puxa para cima e para baixo lhe renderam o desgaste da cartilagem do joelho recentemente. E, há dez anos, uma crise de depressão séria. Ela se viu, de uma hora para outra, obrigada a assumir o lugar do síndico do condomínio onde mora. “Foi muita coisa ao mesmo tempo. Pifei”, diz ela. Foi um ano de antidepressivos e terapia para Terezinha se recuperar. No ano seguinte, teve mais duas crises. Desde então, aprendeu a perceber os sintomas. Ela suspende as visitas a clientes até se recompor. E não tem depressão há oito anos.

O perfil de Terezinha faz parte do cenário da vida moderna. Quem não conhece alguém como ela? Organizada, fissurada no relógio, altamente produtiva. Aparentemente, são pessoas que agem de acordo com as exigências das obrigações do ambiente externo. Mas cresce o número de psicólogos que desconfiam que, momento em muitas pessoas, a pressa surge sem estímulos externos justificáveis. Longos períodos de correria condicionaram as pessoas a viver dessa forma mesmo quando não precisam.

Será uma atitude normal ou doentia? A distinção é sutil. Para começar, casos assim não podem ser classificados como doença, mas como um comportamento obsessivo. Caracterizam-se por um sentimento de pressa sem motivo. Crônico. Surge mesmo nas férias ou em situações em que não há motivo para alguém ficar ansioso ou apressado. Os principais sinais de que o sentimento de urgência fugiu do controle são quando algo simples e, aparentemente inofensivo, causa irritação e até mesmo raiva intensa. Quem fica nervoso com um sinal fechado, um elevador seguindo na direção oposta quando não está atrasado para nenhum compromisso é uma possível vítima da pressa crônica.

Nos Estados Unidos, o termo usado para pessoas com esses sintomas é hurry sickness (ou doença da pressa). Ele foi criado pelo cardiologista americano Meyer Friedman em 1959. O médico reparou que os braços das cadeiras da sala de espera duravam muito pouco. Descobriu que os pacientes se sentavam na ponta dos assentos, na posição de quem pretende levantar a qualquer momento, e  batucavam nervosamente nos apoios de braços das poltronas. Friedman resolveu estudar os efeitos do estresse. Concluiu que pessoas tomadas pelo sentimento de urgência constante e irritabilidade eram mais sujeitas a problemas cardíacos.

A ideia de doença da pressa continua atual. Dois estudos recentes tentam mapeá-la. O primeiro deles foi feito pela coordenadora do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress da PUC-Campinas, Marilda Lipp. Ela ouviu quase 2 mil pessoas com mais de 25 anosem São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, e descobriu que 65% dizem viver com pressa. “Quase todos nós temos pressa, mas em 10% das pessoas que entrevistei esse sentimento é exagerado”, diz Marilda. “Essas pessoas fazem diversas atividades ao mesmo tempo, vivem com a sensação de urgência e se irritam quando sentem que estão perdendo tempo.”

Outra pesquisadora, Ana Maria Rossi, da International Stress Management Association (Associação Internacional de Gerenciamento do Estresse), entrevistou 900 profissionais entre 24 e 58 anos,em São Pauloeem Porto Alegre. Constatouque 36% deles sofrem da doença da pressa. Eles sentem pressa de forma crônica e injustificada. O preocupante nos resultados dessa pesquisa é que o grupo identificado com esse perfil apresenta uma série de disfunções. Segundo o levantamento, 93% reclamam de crises de ansiedade, 91% de angústia e 57% de sentimentos de raiva injustificada. Dores musculares, incluindo dor de cabeça, atingem 94% dos entrevistados, 45% deles sofrem com distúrbios do sono e 24% com taquicardia.

O diagnóstico da pressa crônica é difícil de fazer. As pessoas não conseguem enxergar quando seu comportamento é exagerado em relação à realidade. Contribui para isso a imagem de eficiente que o apressado tem na sociedade. “Mesmo quando alguém reconhece que está com um problema, acha que seu ritmo de vida requer essa postura”, diz Ana Maria. As pessoas procuram tratamento quando as consequências desse comportamento chegam a extremos. A angústia cede lugar à depressão. Os problemas com o sono ou a taquicardia tornam-se crônicos e ameaçam causar danos físicos graves, como problemas no coração. “Os pacientes recorrem aos médicos por causa de sintomas variados: taquicardia, dores musculares, cefaleia e palpitações, sem perceber que a ansiedade está por trás deles”, diz o psiquiatra Marcio Bernik, coordenador do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas,em São Paulo.

Para os psicólogos, está claro que pressa crônica virou um sintoma que pede tratamento. Mas entre os médicos essa abordagem é polêmica. Para eles, os psicólogos estão dando um nome novo para um problema antigo. “Os sintomas identificados nas pessoas com esse comportamento são os mesmos de alguém que sofre de Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG), uma doença com múltiplas causas”, diz Geraldo Possendoro, psiquiatra e psicoterapeuta especializado em estresse da Universidade Federal de São Paulo. Quem tem o TAG costuma se preocupar de forma obsessiva com o que ainda vai acontecer. “Eles têm a necessidade de se antecipar e, por isso, sentem tanta pressa.” Os psicólogos concordam que esse pode ser um dos quadros de TAG. Mas argumentam que encontraram a origem de um dos comportamentos obsessivos associados ao transtorno: a pressa contínua. E que isso facilita o tratamento e aumenta as chances de melhora do paciente.

Independentemente da classificação científica da pressa crônica ou de seus sintomas, o importante é estar atento. Isso ajuda a desacelerar ou a procurar auxílio profissional quando o sentimento de urgência interfere no dia a dia, nas relações sociais e, principalmente, na saúde. O tratamento consiste em aceitar o problema, aprender a identificar comportamentos que são fruto da pressa e, aos poucos, substituí-los por ações opostas, como pegar a fila mais longa ou parar no semáforo amarelo em vez de acelerar o carro.

A pressa é inerente à vida nas cidades. O sociólogo alemão Georg Simmel discorreu sobre a “intensificação da vida nervosa” como condição de quem vive nas grandes cidades. “Disso resulta a mudança rápida e ininterrupta de impressões interiores e exteriores do homem e suas reações”, disse ele num discurso proferido em 1903 em Frankfurt, na Alemanha. Hoje, a tecnologia, os problemas de trânsito e as exigências da vida profissional acentuaram essa vida nervosa. Nesse ponto, médicos e psicólogos concordam. Os dias de hoje exigem respostas mais rápidas, e a pressa, se não é um sintoma em si, é um dos principais fatores causadores de estresse.

“A evolução das tecnologias móveis, como celulares e computadores portáteis, tem feito com que as pessoas não se desliguem mais do trabalho”, diz Possendoro. “Elas começam a responder às mensagens ainda antes do café da manhã e se mantêm conectadas até a hora de dormir.” Os números apoiam essa tese. De acordo com uma pesquisa da consultoria Radicati Group, em um dia uma pessoa recebe mais de 100 e-mails e responde ou envia mais de 50 deles, independentemente de estar no escritório ou não. A estimativa é que, em 2014, o número de mensagens que circulam globalmente deverá aumentar em mais de 30%.

O publicitário paulistano Marcos Mauro Rodrigues, de 57 anos, extrapola essas estatísticas. Ele recebe até 1.000 e-mails por dia e lê parte deles enquanto executa outras tarefas, como falar ao telefone. Seu dia onde trabalha na agência de comunicação começa às 9 da manhã e termina por volta das 11 da noite, com apenas 15 minutos para o almoço. Férias de um mês não fazem parte de sua vida há duas décadas. Marcos fuma dois maços de cigarro por dia e abusa do café. “Sei que meu corpo sofre”, diz. “Mas acho que, se ficar uma semana em uma rede no sítio sem fazer nada, tenho um chilique.” Nesse cenário cheio de ralos para escoar as horas do dia, apressar-se é a diferença entre ter ou não tempo para o prazer e a família. Para os psicólogos, saber diminuir o passo é tão importante quanto conseguir acelerá-lo. A vida é muito curta para ser vivida sempre com pressa. (Época, 24/10)

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Pesquisas mostram que a grande maioria dos brasileiros está infeliz no emprego. Conheça algumas características das pessoas que estão de bem com a vida profissional e saiba como obter mais satisfação no dia a dia

Depois de dez anos na mesma empresa, João estagnou. Já tinha passado por diversos setores, mudado de cidade, coordenado equipes e ajudado a lançar campanhas de produtos. Estava infeliz. Não acreditava mais naquele projeto, não via por onde ir e tinha sofrido assédio moral. Naquele ponto de sua vida, o paulistano João de Lorenzo Neto, 34 anos, tinha duas opções clássicas: seguir infeliz num cargo de gerência ou jogar tudo para cima e viver do seu hobby favorito, a fotografia. Nem um nem outro. João fugiu do óbvio. “Não queria jogar fora uma década de experiência”, recorda. “E, em vez de levar a minha habilidade profissional para o hobby, decidi levar todo o prazer que sinto no hobby para o profissional.” Ele mudou a lente, ajustou o foco, ampliou suas possibilidades e deu um novo tratamento à sua carreira. Aceitou a proposta de uma empresa concorrente que estava lançando um projeto novo, abraçou a causa e hoje, mesmo trabalhando mais horas por dia, sente-se pleno. “Vejo que estou construindo algo, deixando minha marca, e faço o possível para ver minha equipe sempre feliz e motivada”, diz ele, que é gerente de trade marketing de uma empresa de cosméticos.

João faz parte de uma minoria no Brasil, a dos felizes no trabalho. De acordo com uma pesquisa feita pelo International Stress Management no Brasil (Isma-BR), apenas 24% dos brasileiros se sentem realizados com sua vida profissional. A imensa maioria tem se arrastado todos os dias para o escritório. Entre as mulheres, a porcentagem de infelizes é ainda maior, dada a quantidade de afazeres extras além do expediente. “As principais queixas são a carga horária elevada, cobrança excessiva, competição exagerada e pouco reconhecimento”, explica a autora da pesquisa, Ana Maria Rossi, presidente do Isma-BR. E, hoje, um infeliz não pensa duas vezes quando quer sair de onde está. Em tempos de baixo desemprego (6%, segundo dados do Ministério do Trabalho), os profissionais têm mais possibilidades profissionais e podem se dar ao luxo de mudar com mais facilidade. Além disso, algumas companhias têm um grande contingente de funcionários da geração Y (entre 20 e 31 anos), famosa por ser inquieta e descompromissada. O resultado é um troca-troca que deixa as empresas perdidas em relação à gestão de pessoas. O problema é que nem sempre os profissionais ficam satisfeitos com a mudança. Um levantamento feito pelo site Trabalhando.com mostra que 39% das pessoas que aceitaram uma nova proposta não ficaram mais felizes.

Nesse contexto, o que faz de João uma exceção? Ele é o que o psicólogo holandês Arnold B. Bakker, estudioso do tema, chama de “naturalmente engajado”. Ou seja, aquela pessoa que consegue colocar energia, otimismo e foco no que faz. É mais aberta às novidades, produtiva e disposta a ir além da obrigação. “Mais que isso, são pessoas que conseguem moldar o ambiente de trabalho para se encaixar melhor em suas qualidades e não o contrário”, explica Bakker, professor da Universidade Erasmo de Roterdã. Postura semelhante tem a gerente de recursos humanos Neusa Floter, 56 anos. Ela é figura rara, que quase já não existe nos quadros das grandes empresas: mulher de uma companhia só. Está há 43 anos – sim, desde os 13, você fez a conta certa – em uma indústria agroquímica que ela viu crescer e se tornar a líder de seu segmento. “Quem ouve minha história acha que eu sou uma acomodada, aquela que se encostou na primeira empresa que entrou”, conta, rindo. “Bem ao contrário, nunca um dia meu foi igual ao outro e sinto que ainda tenho aquele mesmo gás do começo da carreira.”

Neusa é uma otimista de carteirinha, sempre em busca de motivos para fazer seu dia ser o melhor possível. O otimismo é uma das características que ligam pessoas como Neusa e João. Segundo o estudo feito pelo Isma-BR, os 24% felizes têm também a autoestima elevada, são confiantes, flexíveis e sabem o que querem. “Não têm medo de ser quem são”, resume Ana Maria. Essas pessoas buscam, por exemplo, carreiras e corporações que lhe deem autonomia. “Não é à toa que as empresas de tecnologia viraram o sonho de consumo da geração Y, porque elas são mais ousadas e permitem que o funcionário seja quem ele é”, exemplifica o headhunter e consultor de executivos Gutemberg Macedo.

Foi o que seduziu o programador Dalton Sena, 23 anos, de Belo Horizonte, a continuar em seu emprego em uma start-up – nome dado às pequenas empresas de tecnologia. Quando ela dava seus primeiros passos na área de produção de softwares para vídeos digitais, Dalton foi aprovado em um concurso público. Para desespero de seu pai, ele não assumiu o cargo, porque queria continuar onde estava. “Cheguei para meus chefes e disse a verdade: ‘Eu quero continuar com vocês, mas vocês querem continuar comigo?’” A resposta foi sim. E o estudante de análise de sistemas pôde continuar exibindo seu longo rastafari e usar bermuda em horário comercial. Seu local de trabalho tem até uma salinha com videogames, mesa de pingue-pongue e outros entretenimentos que podem, e devem, ser usados a qualquer momento. A verdadeira razão pela qual o jovem quis continuar ali, entretanto, tem a ver diretamente com sua produção. Além da autonomia para criar, Dalton se sente desafiado diariamente. “Nada chega aqui mastigado, você sempre tem que descobrir como fazer as coisas.”

Intrigada com tanta gente reclamando da vida profissional, a consultora de recursos humanos Elaine Saad, da Right Management, decidiu fazer um levantamento amplo via Twitter. Ela quer saber de um milhão de brasileiros se eles estão felizes, ao menos 70% do tempo, em seus trabalhos. “Coloquei essa porcentagem porque felicidade o tempo todo não existe”, pondera. Até agora, dez mil participantes já deram seu “sim” ou “não”. Seu objetivo é comparar as respostas de funcionários do mundo corporativo com a de profissionais liberais e pequenos empreendedores. De acordo com estudos feitos anteriormente por ela, os dois últimos tendem a ser os mais felizes, pois são donos de sua produção, e não apenas uma peça em uma engrenagem maior. Levar esse sentimento para dentro das corporações é um dos grandes desafios dos departamentos de recursos humanos hoje, segundo a especialista. “A ideia é fazer cada um se sentir um pouco dono do negócio, essência do conceito de líderes empreendedores que começa a crescer cada vez mais em grandes grupos.”

Saber aonde se quer chegar e ver sentido naquilo que se faz também é um traço marcante dos satisfeitos. A maioria infeliz está, em grande parte, em um estado de inércia. É o que o especialista em desenvolvimento humano Eduardo Shinyashiki chama de “aposentadoria mental”, quando a pessoa trabalha horas por dia, produz bastante, mas sua mente está completamente alheia a tudo aquilo que ela está fazendo. “É o famoso piloto automático”, diz ele. Como em um relacionamento amoroso, raramente o trabalho vai ser perfeito e de todo agradável. O que os especialistas chamam a atenção é para que o pacote não seja mais negativo que positivo. Quando nada mais motiva uma pessoa a sair da cama de manhã é porque está na hora de mudar o caminho. A grande maioria, no entanto, está insatisfeita apenas com alguns aspectos da vida profissional. “Se o lugar que você está é incrível e te paga bem, mas você nunca é reconhecido, vá buscar reconhecimento em outros lugares, no trabalho voluntário, em sua igreja, na sua família ou com seu hobby”, exemplifica Ana Maria, do Isma-BR.

Os empregadores também precisam fazer seus ajustes para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores. De nada adianta criar ambientes agradáveis com salas para relaxar, subsídios generosos e cafezinho importado se a jornada é massacrante e a empresa estimula a competição em vez de cooperação. Tampouco surtem efeito palestras motivacionais se os computadores são ultrapassados, as cadeiras quebradas e os líderes engessados. Na maior parte das vezes, entretanto, os problemas mais complexos estão nas relações humanas. Um dos principais entraves é a comunicação entre chefes e subordinados.

Um estudo feito pela Michael Page Brasil, uma das maiores empresas de recrutamento de executivos do mundo, mostra que existe uma distância imensa entre o que líderes pensam sobre seu comportamento e como seus liderados os avaliam – 52% dos ouvidos não estão satisfeitos com seus gestores, mas 73% dos gestores se acham capacitados para o cargo. Para 53% dos chefes, o fato de ser íntegros e honestos é o que faz deles capacitados. Para 70% dos subordinados, seria mais interessante se seus chefes fossem grandes motivadores. “Em um momento bom da economia, com desemprego baixo, são os profissionais que estão escolhendo a empresa e não o contrário”, destaca o diretor-executivo da Michael Page Brasil, Marcelo DeLucca. “Melhorar a comunicação entre as partes é fundamental para reter os talentos.”

A sede do Google de Zurique, Suiça, se transformou em uma inspiração de ambiente e modo de trabalho favorável para os funcionários

Apostar na felicidade do funcionário é acreditar na saúde da própria empresa. Afinal, trabalhador feliz falta menos, comete menos erros e produz mais. O bom ambiente de trabalho é o que motiva Ludmila da Silva Pinheiro Vasconcelos, 32 anos, no dia a dia como operadora de telemarketing. “É a minha segunda família”, garante. Ela quer mais: fazer faculdade, estudar inglês e crescer dentro da empresa que tanto admira. É o próprio indivíduo, porém, o maior responsável por sua satisfação profissional. A boa notícia, segundo o psicólogo holandês Arnold Bakker, é que todos podem se tornar um pouco mais engajados. “Muitas vezes o trabalho é tedioso mesmo e temos que tolerá-lo”, afirma o psicólogo. “Um primeiro passo para evitar que isso seja um drama é justamente não se colocar padrões tão elevados de felicidade.”

Para o headhunter Gutemberg Macedo, é preciso olhar também para fora dos muros da empresa em busca de um sentido maior nos afazeres cotidianos. “Leia, ouça música, vá ao teatro, cultive as coisas do espírito, ame os seus. A vida só vale a pena se damos algum sentido para ela.” E aprenda com os felizes que estão ao seu redor. O João do começo desta reportagem decidiu que não queria mais seguir o padrão de só ser feliz aos sábados e domingos, longe das tarefas profissionais. “É muita responsabilidade para o fim de semana. Optei por ser feliz todos os dias.” (IstoÉ, 24/10)

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Casos ainda estão em estudo pelos médicos, que não sabem qual é o efeito da bebida psicoativa sobre o vício.  Usuário de cocaína diz que vontade de se drogar sumiu após o chá; médico alerta para risco de morte

Alcoólatras crônicos e usuários de drogas ilícitas, que se identificavam como “sem solução”, afirmam terem abandonado décadas de vício com o chá ayahuasca, conhecido como Daime.

O tratamento com o chá não é divulgado publicamente. As recomendações correm de boca em boca só entre os membros de grupos religiosos que usam a bebida, como o Santo Daime e a União do Vegetal, além de dissidentes.

Médicos e cientistas ainda estudam os efeitos da bebida para saber a causa da suposta eficácia contra o vício.

Dois ex-dependentes afirmaram à reportagem que tomaram conhecimento do chá por indicação de psiquiatras que frequentavam os rituais (para entrar nas seitas, o novato geralmente é apresentado por um membro).

“Pessoas que ingressaram nos grupos do ‘vegetal’ milagrosamente largaram a bebida depois de 30 a40 anos de alcoolismo”, diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp.

O médico, que não indica o chá como tratamento, afirma que o próprio ritual pode ter algo a ver com a recuperação dos dependentes. “Sabemos que o contexto religioso protege as pessoas das drogas, mas suspeito que não seja somente isso.

Há um efeito químico nisso tudo, que ainda não foi pesquisado”, diz o psiquiatra.

O doutor em farmacologia João Ernestode Carvalho, coordenador da Divisão de Farmacologia e Toxicologia do CPQBA (Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas), da Unicamp, também não tem explicações para justificar o fim da dependência.

“Sob o ponto de vista farmacológico, a pessoa teria de tomar doses diárias do chá, como se ele fosse um antidepressivo, o que não ocorre.” Os rituais são realizados, em média, duas vezes ao mês. “Não sei explicar como parei”, diz o publicitário Benito Alvarez Rizi, 55, que começou a tomar o chá há cinco anos.

Antes do processo de limpeza, Rizi cheirava cocaína e entornava bebida alcoólica a ponto de ficar cinco dias seguidos acordado. “Desde que comecei a tomar o ‘vegetal’, a vontade de me drogar sumiu da minha cabeça.”

A dúvida é se a ayahuasca pode ter um efeito adverso e criar, por sua vez, uma nova dependência.

“O que pode existir é a dependência psicológica”, diz Xavier. “Não é uma droga do prazer ou que dê ‘barato’ como a cocaína, o álcool ou outra substância. Não é uma experiência agradável que as pessoas queiram repetir.”

Diarreia, vômito, náusea e formigamento estão entre alguns dos efeitos colaterais.

Uso inapropriado

O psiquiatra Arthur Guerra, coordenador do grupo de estudos de álcool e drogas da Faculdade de Medicina da USP, o uso do chá como tratamento para dependência não é apropriado. “Como uma substância com alucinógena vai tratar dependentes? Em vez de você ajudar a pessoa, você pode matá-la.” (Folha, 24/10)

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