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Sobre a saúde e a doença no mundo - DC 27-2-2013

DC, 27/2

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Cão é treinado na Holanda para detectar bactéria hospitalar: Beagle Cliff conseguir reconhecer micro-organismo causador de infecções graves com 83% de precisão. ‘Cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes’, afirma pesquisador ‘Tudo indica que eles podem detectar bactéria no ar em volta dos pacientes’.

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Um estudo realizado pela Universidade VU, de Amsterdã, na Holanda, revelou que cães podem detectar bactérias que causam infecções hospitalares graves, como a Clostridium difficile. Cliff, um beagle de dois anos usado no estudo, conseguiu detectar a superbactéria com 83% de precisão.

Os testes com Cliff foram feitos em dois hospitais de Amsterdã nos quais, como em outros países, os médicos estão tentando reduzir as taxas de infecção pela bactéria detectada pelo beagle. Os exames de laboratório usados atualmente são lentos, caros e podem atrasar o início do tratamento em até uma semana. A Clostridium difficile geralmente afeta pacientes idosos que estão sendo tratados com antibióticos. Ela provoca problemas na flora intestinal, diarreia e, em casos extremos, inflamação intestinal e a morte.

Os cientistas afirmaram que usar um cachorro nos hospitais para detectar os pacientes infectados é uma forma “rápida, eficaz e popular” de evitar a propagação da bactéria. A pesquisa foi divulgada na revista britânica especializada British Medical Journal.

Cheiro

Estudos anteriores demonstraram que cães são capazes de detectar vários tipos de câncer. A ideia de treinar um cachorro para detectar a Clostridium difficile surgiu quando os pesquisadores do Centro Médico da Universidade VU, de Amsterdã, notaram que as fezes contagiadas pela bactéria emitiam um odor específico.

Cliff, que nunca tinha sido treinado para aprender a detectar a bactéria, passou por dois meses de instrução para farejar os odores da bactéria em amostras de fezes e em pacientes contagiados. Cliff tinha que se sentar ou deitar quando o micro-organismo estivesse presente. Quando o beagle foi colocado à prova, foram apresentadas 50 amostras de fezes com a bactéria e 50 sem. Cliff identificou corretamente as 50 amostras positivas e 47 das 50 negativas.

Os números equivalem a uma qualificação de 100% em termos de sensibilidade (a proporção de positivos detectados corretamente) e 94% em especificidade (a proporção de negativos identificados corretamente). Depois, Cliff foi levado para as salas de dois hospitais para provar sua capacidade em meio aos pacientes. O cachorro conseguiu identificar corretamente 25 de 30 pacientes infectados (83% de sensibilidade) e 265 de 270 pacientes sem a bactéria (98% de especificidade).

‘Rápido e eficaz’

De acordo com os pesquisadores, Cliff “demonstrou ser rápido e eficaz, rastreando uma sala completa do hospital para buscar os pacientes com as infecções da C. difficile em menos de dez minutos”. “Para os propósitos de detecção, o cão não precisou de uma amostra de fezes ou do contato físico com os pacientes”, afirmaram os autores da pesquisa. “Tudo indica que os cães podem detectar a C. difficile no ar em volta dos pacientes”, acrescentaram.

Mas, os cientistas holandeses destacam que este foi um estudo inicial e agora deverão fazer pesquisas mais abrangentes. Também existem algumas dúvidas como a imprevisibilidade de se usar um animal como ferramenta de diagnóstico e o potencial que este animal teria de espalhar infecções. (Estadão, 17/12)

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Segundo pesquisadores, a vacina diminui problemas cardíacos pois previne as complicações da gripe, como inflamações

A vacina contra a gripe pode ter outros efeitos além de prevenir a infecção por vírus: ela também pode diminuir os riscos de o paciente desenvolver doenças cardiovasculares. Segundo duas pesquisas divulgadas no Congresso Cardiovascular Canadense de 2012, a vacina pode ser um importante tratamento para manter a saúde do coração e prevenir eventos como acidentes vasculares cerebrais (AVC) e ataques cardíacos.

Um dos estudos avaliou uma série de pesquisas publicadas desde os anos 1960. “Aqueles que receberam a vacina tiveram uma grande redução no risco de doenças cardiovasculares”, diz Jacob Udell, cardiologista da Universidade de Toronto e autor do estudo. Juntando todas as pesquisas, foram avaliados 3.227 pacientes. Cerca de 50% deles já tinham doenças cardíacas diagnosticadas, mas os efeitos benéficos foram registrados nos dois grupos. Metade dos pacientes recebeu a vacina, enquanto outra metade recebeu placebos, e todos foram observados ao longo de um ano.

Resultado: aqueles que receberam a vacina registraram uma queda de até 50% no risco de sofrer problemas como ataques cardíacos e AVCs se comparados aos que tomaram placebos. Esses mesmos voluntários tiveram 40% menos chances de morrer por causa desses problemas.

Os especialistas não têm certeza sobre o mecanismo que leva à redução de eventos cardíacos, mas sugerem que a vacina previne as complicações da gripe, como inflamações, que já foram relacionadas a ataques do coração. Jacob Udell afirma que esses resultados dão apoio à prática médica de sugerir a vacinação de indivíduos que tenham problemas cardíacos. Agora, o pesquisador pretende realizar um estudo maior para demonstrar a a efetividade da vacina em salvar a vida de pacientes com esse tipo de doença.

Implante — Um segundo estudo apresentado no Congresso examinou o efeito das vacinas em pacientes que receberam desfibriladores implantáveis. Esses aparelhos são pequenos geradores elétricos implantados em pacientes que estão correndo risco de sofrer uma morte decorrente de problemas cardíacos. Os desfibriladores estão programados para detectar arritmia e aplicar choques elétricos calibrados para restaurar o ritmo normal do coração. “Já havíamos percebido que os pacientes costumavam receber mais choques durante as temporadas de gripe. Em nossa pesquisa, estávamos tentando entender como poderíamos reduzir a quantidade de choques nessa época”, disse Ramanan Kumareswaran, cardiologista do Centro de Ciências da Saúde de Sunnybrook, no Canadá, e um dos autores do estudo.

Foram analisados 230 pacientes, que tinham entre 70 e 74 anos. Desses, 179 haviam recebido a vacina no último ano. Entre eles, 10,6% receberam pelo menos um choque durante a temporada de gripe. Já entre os que não foram vacinados a taxa foi de 13,7% . A pesquisa também precisa ser realizada em maior escala antes que seus resultados sejam confirmados. (Veja, 29/10)

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Insetos são infectados com bactéria que os torna imunes ao vírus da doença. Mosquitos protegidos devem ser introduzidos no ambiente em 2014; método teve sucesso em cidades na Austrália

Cristiane Maria Vicente, funcionária da Fiocruz, segura gaiola com mosquitos da dengue

O Brasil começa a dar os primeiros passos em uma ambiciosa estratégia internacional de combate à dengue: a introdução na natureza de exemplares do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, imunes à doença. A iniciativa, capitaneada pela Fiocruz, (Fundação Oswaldo Cruz), foi anunciada ontem no Congresso Internacional de Medicina Tropical, no Rio de Janeiro. O trabalho está em fase de testes iniciais e, se tudo der certo, os primeiros aedes “vacinados” contra a dengue devem ganhar as ruas do país em estudos controlados no segundo semestre de 2014. Ainda não se sabe em quais cidades o teste vai começar.

Em laboratório, cientistas contaminam os embriões do Aedes aegypti com uma variante da bactéria wolbachia, que é encontrada em cerca de 70% dos insetos na natureza, incluindo moscas-das-frutas e pernilongos “comuns”. No organismo do mosquito, a bactéria impede o desenvolvimento do vírus da dengue, tornando-o imune. “Os mecanismos que provocam isso são complexos, desde mudanças no sistema imune até a competição por nutrientes no interior das células”, diz Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz e chefe do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”. “O método é seguro. A bactéria já faz parte do dia a dia. Não se trata de uma alteração genética ou da introdução de um micro-organismo novo.”

Uma vez introduzida na população de mosquitos, a bactéria consegue se espalhar com facilidade. Embora a contaminação seja só vertical (dos pais para a prole), os mosquitinhos infectados têm mais sucesso na reprodução. As fêmeas contaminadas têm descendentes com a bactéria independentemente de o macho estar infectado. No caso das fêmeas que não apresentam o wolbachia mas que copulam com machos com a bactéria, quase todos os ovos fecundados acabam morrendo. Ou seja: fêmeas com a wolbachia produzem mais ovos, que vão originar novos mosquitos que já nascem com a bactéria e, portanto, imunes à dengue.

O método, criado na Austrália, já foi testado em duas cidades daquele país. A população de insetos foi substituída pela variante imune. “Monitoramos essas áreas [da Austrália] e vimos que, até agora, 18 meses depois, elas continuam com praticamente 100% dos mosquitos com a bactéria”, diz Scott O’Neill, professor da Universidade Monash, em Melbourne, e um dos autores do trabalho australiano, publicado em 2011 na “Nature”.

Antes de começar os testes com o mosquito na natureza, os cientistas da Fiocruz vão fazer pequenas adaptações no método australiano. “Os vírus que circulam nos dois países têm algumas diferenças. Isso precisa ser levado em consideração”, explica Luciano Moreira. (Folha, 25/9)

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Sentiram minha falta? Eu explico.


Tirei uns dias de férias em família e foram ótimos. Planejando voltar com baterias recarregadas às minhas atividades no MPSC e ao blog, retornei no dia 1/8. Pois dois dias depois eu estava em casa, acamado, devido a uma dolorida infecção na perna, que começou a se manifestar na tarde do dia 2/8.

Eu criei este blog há quase dois anos, quando, devido a uma pequena queda, mas de graves conseqüências, precisei ficar afastado do trabalho, por muitos meses. Tive a tíbia e a fíbula gravemente fraturadas, em espiral. Tendões, ligamentos e vasos sanguíneos rompidos, uma cirurgia de 3 horas, duas placas e 21 parafusos de titânio, dois meses de cama, 8 de muletas e mais de um ano de fisio e hidroterapias. Precisava de um passatempo interessante para trabalhar em casa e… o blog é um sucesso de visitas, rivalizando com o meu primeiro blog!

Quase dois anos depois, a parte óssea está completamente recuperada, permitindo uma vida normal; atividades físicas incluídas. Contudo, infelizmente, amanhã passarei por uma nova cirurgia, desta vez para uma não programada retirada de todo o material, devido a uma infecção local por estafilococos. A cirurgia é de emergência, pois pretende-se evitar que a infecção se espalhe para os ossos, desenvolvendo uma osteomielite, o que seria perigoso mesmo, mas, segundo os médicos, a recuperação tende a ser bem mais rápida e menos dolorida. Veremos.

Bom, é isso! Em breve volto a postar com a regularidade de sempre.

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Miriam Tendler

A médica infectologista Miriam Tendler sempre viu o desafio de vencer a esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas no mundo, como uma missão. “Estava convencida de que, se a gente não fizesse essa vacina, dificilmente o mundo desenvolvido faria”, afirma. Na semana passada, a eficácia de sua vacina em seres humanos foi comprovada. A missão estava cumprida.

O sucesso da vacina, a primeira desenvolvida para erradicar uma doença parasitária, abre as portas para sua fabricação. Ela não apenas funciona, mas o faz com segurança, anunciaram os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz. Também servirá de base para a criação de vacinas contra outras doenças provocadas por vermes (helmintos). Estima-se que sua produção em escala industrial comece em quatro anos. “O descaso com a doença foi o que me prendeu ao assunto”, diz Miriam. Ela dedicou 30 anos à coordenação da pesquisa, que já entrou para a história científica mundial.

A esquistossomose é uma doença crônica, típica de áreas sem saneamento básico. Comum em regiões pobres, com infraestrutura precária, ela ainda preocupa no Brasil, onde 55% dos municípios não têm rede coletora de esgoto. O contágio acontece pelas fezes do caramujo hospedeiro, encontrado em lagos, represas e cursos d’água de correnteza fraca. As larvas liberadas pelo animal penetram através da pele humana sem a necessidade de cortes. As fezes de um doente saem com ovos das larvas, que voltam a contaminar o ambiente sem saneamento, num ciclo permanente. O resultado da doença é visível: a imagem de crianças com barrigas extremamente dilatadas é seu sinal mais repugnante, típico da fase crônica e mais grave. No início, a esquistossomose pode não revelar sintomas.

No quadro agudo, mais comum, a vítima tem coceiras, febre, diarréia, náuseas e dores de cabeça. E uma doença que raramente mata, mas devasta. Do ponto de vista social, a esquistossomose só não causa mais estrago que a malária, outro mal transmitido por parasitas.

Miriam tem uma família criativa. Mãe do roteirista Daniel Tendler e cunhada do cineasta Sílvio Tendler, ela tratou sua pesquisa como uma obra de arte. Ela também sabe que a saga em busca de uma vacina no Brasil tem ingredientes de um roteiro cinematográfico, com uma heroína e vários vilões. Entre eles, cientistas estrangeiros céticos quanto à capacidade brasileira de desenvolver uma vacina de ponta e o desinteresse da indústria por um produto voltado para pobres. No meio da história, os desafios da heroína incluem a falta de peças de reposição de equipamentos importados, que chegou a atrasar parte dos trabalhos de Miriam. Os estudos da equipe do Instituto Oswaldo Cruz abrem portas para outros avanços científicos, que não se limitam a dar esperança a vítimas da esquistossomose nas comunidades mais carentes. A vacina contra a doença provou ser também eficaz no combate à fasciolose, a principal verminose do gado. A possibilidade de usála numa área mais sensível para a economia atraiu o interesse de vários laboratórios particulares, que estabeleceram uma parceria com o Oswaldo Cruz. A abrangência trouxe recursos para a pesquisa, mas o foco de Miriam sempre foi a vacina humana.
“O descaso com a esquistossomose foi o que me prendeu ao assunto”

Enquanto a vacina não é produzida em larga escala, aos 62 anos Miriam nem pensa em se aposentar. Ela seguirá dividindo seu tempo entre o trabalho e suas outras paixões: nadar diariamente e conviver com os netos, Olívia, de 2 anos, e Caetano, de 6. Sobre ter recebido destaque por ser uma mulher no mundo científico, tradicionalmente masculino, ela hoje admite seu papel de pioneira. “Antes me incomodava, mas agora vejo que foi importante. A mulher luta para ser aceita, e o interesse por mim ajudou a dar destaque à pesquisa.” (Época, 17/6)

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Um estudo publicado na edição desta semana da revista PLoS ONE mostra que substâncias químicas derivadas da maconha podem inibir um subtipo de HIV detectado nos estágios avançados da Aids. De acordo com pesquisadores da Faculdade de Medicina de Monte Sinai, nos Estados Unidos, entender exatamente como isso ocorre poderá ajudar os cientistas a desenvolverem novas drogas que retardem a progressão da síndrome.

“Nós já sabíamos que os canabioides derivados da maconha têm efeitos terapêuticos em pacientes, mas não sabíamos que eles também influenciavam na disseminação do vírus”, explicou, em comunicado, a principal autora da pesquisa, Cristina Constantino. Em alguns países, como a Holanda e os EUA, a droga pode ser usada com fins medicinais, pois já se comprovou que ela melhora sintomas de dor, reduz a perda de peso e de apetite e os sintomas colaterais comuns quando a doença já está avançada.

Agora, os cientistas constataram que receptores de canabioides encontrados nas células do sistema imunológico podem também afetar a propagação do HIV. Essas substâncias, chamadas CB1 e CB2, evitam que, no estágio avançado, o vírus já mutante alcance os linfócitos que ainda não haviam sido atingidos. Para entrar nas células, o HIV precisa que uma determinada molécula forneça um alerta, indicando onde ele deve entrar. O CB1 e o CB2 bloqueiam o processo de sinalização, poupando os linfócitos ainda saudáveis de serem infectados. “Desenvolver drogas que desencadeiam a ativação dos receptores pode ser um tratamento a mais que, combinado à medicação antirretroviral, alivie os sintomas dos últimos estágios da Aids, além de prevenir que o vírus se espalhe”, disse Constantino.

O próximo passo da equipe é desenvolver um modelo animal que exiba características da fase final da doença. Dessa forma, os cientistas pretendem testar a segurança e a eficácia de um remédio que ative a resposta dos receptores de opioides em organismos vivos.

Insegurança alimentar

Também na PLoS, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Harvard alertou, em outro artigo, que, no combate à Aids, um importante elemento precisa ser considerado: a insegurança alimentar. Usando dados brasileiros, da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) de 2006, os cientistas alegam que, estatisticamente, há uma relação entre fome e falta do uso de preservativos, o que aumenta potencialmente o risco de transmissão.

Segundo os autores, as políticas públicas precisam levar em conta não apenas a educação sexual, como as campanhas sobre as doenças sexualmente transmissíveis, mas também indicadores socioeconômicos. “Intervenções governamentais no plano da segurança alimentar poderão ter um impacto significativo na redução de infecções, principalmente nos países em desenvolvimento”, concluíram. (Correio Braziliense, 20/4)

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