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Posts Tagged ‘estatísticas’

Crazy Old LadyOs dados do último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 12% da população brasileira – 23,5 milhões – são idosos. O prognóstico para 2020 é que, ao menos, 30 milhões de pessoas terão mais de 60 anos de idade. Em dez anos – de 2001 a 2011 – houve aumento de 55% dessa parte da população. Para atender esse perfil, o Programa Melhor Idade foi eleito no Plano Gerão de Atuação – PGA 2013, do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), como iniciativa estratégica prioritária do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH) e das Promotorias de Justiça com atuação na área.
O objetivo é verificar a regularidade das instituições de cuidado, com visitas presenciais, para averiguar as situações sanitárias, de acessibilidade e de segurança contra acidentes e incêndio, além da qualidade do atendimento prestado aos idosos. As vistorias feitas pelo CDH são realizadas em apoio às Promotorias de Justiça, de forma conjunta com a Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). A partir daí, esses órgãos elaboram e encaminham relatórios das instituições ao CHD, que os repassa às Promotorias de Justiça para avaliar as ações necessárias. Outros órgãos também participam das visitas, como a Corregedoria-Geral da Justiça de Santa Catarina, os Conselhos Estadual e Municipais do Idoso e as Promotorias de Justiça de cada região do Estado. Para melhorar a qualidade de vida dos idosos, o CDH pretende, ainda, até o fim deste ano, auxiliar as Promotorias para ampliar a quantidade de Instituições de Longa Permanência para Idoso (ILPI) adequadas à legislação, viabilizar o aumento do número de municípios com Conselho Municipal do Idoso (CMI) e incentivar as atividades dos conselhos ja existentes.
Para não sobrecarregar os membros e servidores que atuam nas comarcas, a equipe do CDH, com a concordância das Promotorias de Justiça, organiza e acompanha as vistorias realizadas, contando com o apoio de uma assistente social do MPSC. Segundo a Coordenadora do Centro de Apoio, Promotora de Justiça Caroline Moreira Suzin, “com o gradativo envelhecimento da população é preciso intensificar a estrutura da rede de atendimento ao idoso”.
Seguindo essa sistemática já foram visitadas as instituições de Palhoça, Camboriú, Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes e Luiz Alves, e até final de maio estão previstas vistorias em Chapecó, Quilombo, São Lourenço do Oeste, Santo Amaro da Imperatriz, Tijucas e Brusque.
Saiba mais: Os CMIs são formados, em igualdade, por representantes governamentais e da comunidade local, tornando-se importante peça de integração entre o poder público e a sociedade civil. A atuação é direcionada para impulsionar a execução de políticas públicas que cumpram todos os direitos expostos no Estatudo do Idoso. As ações de estímulo à criação e atuação dos CMIs são realizadas em parceria com o Conselho Estadual do Idoso.
As ILPIs são estabelecimentos para atendimento integral e podem ser de iniciativa privada, pública ou filantrópica. Indicadas para pessoas com 60 anos ou mais, dependentes ou independentes, que não apresentam condições para permanecer com a família ou em sua residência. Essas instituições – conhecidas por abrigo, asilo, lar, casa de repouso, clínicas geriátricas e ancionato – devem fornecer serviços médicos, psicológicos, de enfermagem, fisioterapia, odontologia e terapia ocupacional, entre outras, dependendo das necessidades apresentadas. (COMSO/MPSC)
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Aconselhamento médicoA atuação de médicos estrangeiros e de brasileiros formados no exterior na rede pública de saúde pode ser facilitada por uma proposta em debate pelo governo federal. Hoje, esse ingresso é feito principalmente pelo Revalida, exame tido como difícil e com alta taxa de reprovação.

A ideia é lançar editais internacionais para que os médicos trabalhem vinculados à rede pública em cidades do interior e periferias carentes de assistência, com registro provisório de dois anos. Nesse período, o médico seria acompanhado por tutores e supervisores de instituições de ensino e teria aulas de português e sobre o SUS. Após dois anos, se quisesse ficar no país, o profissional teria que fazer o Revalida.

Essa proposta foi apresentada, anteontem, a reitores e coordenadores de cursos de medicina de universidades federais pelos ministérios de Saúde e Educação. O Ministério da Saúde calcula um deficit de 160 mil médicos, que será suprimido apenas em 2035 se mantida a presente situação. A expectativa é que a carência seja sanada principalmente por médicos de Portugal e Espanha, onde o índice de desemprego está alto. “Tem gente que diz que a proposta é importar médicos sem qualidade, que vão tomar o lugar dos brasileiros. Não achei que seja isso, pareceu algo bem organizado”, disse Ângela Cruz, reitora da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

As entidades médicas no Brasil têm opinião contrária e criticam duramente a ideia de flexibilizar a entrada dos diplomas internacionais. Para o CFM (Conselho Federal de Medicina), o problema é a má distribuição de médicos. Estudo da entidade aponta que a proporção de médicos no país, na rede pública e privada, é de 2 médicos por 1.000 habitantes. Enquanto isso, no SUS o índice é de 1,13 no país e não passa de 1,35 no Sudeste.

O governo também estuda alterar o Revalida, para que o exame tenha o mesmo grau de exigência dos cursos nacionais. Uma possibilidade é calibrar a nota de corte pelo desempenho de formandos de medicina na prova. (Folha, 1/3)

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Para ler o documento na íntegra (a edição 2012, traz dados consolidados de 2011), clique no link abaixo. Requer leitor de arquivos .pdf:

RetratoMP

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Sobre a saúde e a doença no mundo - DC 27-2-2013

DC, 27/2

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A visão recorrente de atendimento precário em prontos-socorros contrasta com avanços significativos na qualidade de serviços que o SUS também presta a milhões de brasileiros

A médica pediatra Sonia Maria Santana Stender foi morta a tiros, domingo, após terminar seu plantão no Hospital Estadual Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A polícia considera a hipótese de que o crime tenha sido cometido por alguém descontente com o tratamento dispensado pela médica a um parente. Outros médicos dizem que são rotineiras as ameaças e agressões verbais que sofrem durante o trabalho no pronto-socorro, vindas de pessoas insatisfeitas com o atendimento.

Foi em 1988 que a Constituição brasileira decretou que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. Na teoria, os cidadãos teriam direito a uma grande carteira de serviços de saúde oferecidos pelo Estado, que teria, portanto, o dever de fornecê-los. É difícil encontrar especialista que não elogie o princípio estabelecido na concepção do SUS. O ideal de um sistema público universal e equânime é, no mínimo, admirável. Sua aplicação, no entanto, constitui-se numa das questões mais complexas com que devem lidar os formuladores de políticas públicas no país. Na prática, o que se tem é um sistema híbrido e pouco funcional, econômica e socialmente, em que serviços públicos e privados coexistem sob o manto pesado de críticas que ensombrecem áreas de eficiência e mesmo de excelência.

Prestes a completar 25 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) pode parecer inviável. As imagens recorrentes da saúde pública são as de macas nos corredores de hospitais superlotados e doentes em filas, à espera de consultas e exames. Contudo, também se comprovam avanços, que não encontram contestação sequer entre os críticos de um sistema que, hoje, inclui milhões de pessoas que não teriam acesso a serviços públicos de saúde – eles próprios ampliados e melhorados -, antes reservados aos beneficiários do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps).

A universalidade inscrita na Constituição continua sendo um objetivo envolto em espessa camada de incerteza – quanto ao próprio alcance da distribuição dos serviços, em termos quantitativos, ditados pelo contexto da dinâmica econômica e social, mas também no debate a respeito de sua importância para a conquista, pelo país, de graus superiores de desenvolvimento em sentido amplo.

“É ilusório acreditar que seja possível viver apenas com o SUS ou com o sistema privado. O SUS sozinho não se sustenta. É necessário fazer um mix”, diz Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa cerca de 250 operadoras de planos de saúde.

Na prática, esse arranjo já existe, mas tem se desequilibrado nos últimos anos, pendendo para um peso maior dos serviços privados. De acordo com o relatório “Estatísticas de Saúde Mundiais 2011”, da Organização Mundial de Saúde (OMS), os gastos com saúde no Brasil foram, em 2008, 44% públicos e 56% privados. No Reino Unido, os gastos públicos foram de 83%. A proporção aqui é crítica porque o sistema privado atende cerca de 48 milhões de brasileiros, enquanto o público se destina – ao menos segundo a letra da Constituição – à totalidade dos 192 milhões.

Embora o Brasil tenha tido um gasto total com saúde de 9% de seu PIB em 2009, próximo da média mundial, o porcentual do orçamento do governo destinado à área foi de 6,1%. Na Argentina, chegou a 14,6%; no Chile, a 15%; na Alemanha, a 18%. Também se podem fazer estas comparações: enquanto o gasto per capita com saúde no Brasil foi de US$ 335, chegou a US$ 485 na Argentina, US$ 368 no Chile, US$ 3,5 mil na Alemanha.

“A consequência é que o SUS fica direcionado quase exclusivamente aos pobres. E quanto mais de pobre for o SUS, mais enfraquecido politicamente ele fica”, diz Eugênio Vilaça Mendes, consultor em saúde pública. É praticamente intuitivo: não se discute a relevância, por exemplo, da contribuição dos serviços de saúde, mesmo com suas conhecidas precariedades, para a contabilização de significativas elevações no tempo médio de vida dos brasileiros ou na redução da mortalidade infantil; mas as questões relativas à qualidade e à distribuição desses serviços, elas próprias e a orientação que sua discussão tende a ganhar, inclusive no âmbito parlamentar, têm evidente dimensão política. (mais…)

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Miriam Tendler

A médica infectologista Miriam Tendler sempre viu o desafio de vencer a esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas no mundo, como uma missão. “Estava convencida de que, se a gente não fizesse essa vacina, dificilmente o mundo desenvolvido faria”, afirma. Na semana passada, a eficácia de sua vacina em seres humanos foi comprovada. A missão estava cumprida.

O sucesso da vacina, a primeira desenvolvida para erradicar uma doença parasitária, abre as portas para sua fabricação. Ela não apenas funciona, mas o faz com segurança, anunciaram os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz. Também servirá de base para a criação de vacinas contra outras doenças provocadas por vermes (helmintos). Estima-se que sua produção em escala industrial comece em quatro anos. “O descaso com a doença foi o que me prendeu ao assunto”, diz Miriam. Ela dedicou 30 anos à coordenação da pesquisa, que já entrou para a história científica mundial.

A esquistossomose é uma doença crônica, típica de áreas sem saneamento básico. Comum em regiões pobres, com infraestrutura precária, ela ainda preocupa no Brasil, onde 55% dos municípios não têm rede coletora de esgoto. O contágio acontece pelas fezes do caramujo hospedeiro, encontrado em lagos, represas e cursos d’água de correnteza fraca. As larvas liberadas pelo animal penetram através da pele humana sem a necessidade de cortes. As fezes de um doente saem com ovos das larvas, que voltam a contaminar o ambiente sem saneamento, num ciclo permanente. O resultado da doença é visível: a imagem de crianças com barrigas extremamente dilatadas é seu sinal mais repugnante, típico da fase crônica e mais grave. No início, a esquistossomose pode não revelar sintomas.

No quadro agudo, mais comum, a vítima tem coceiras, febre, diarréia, náuseas e dores de cabeça. E uma doença que raramente mata, mas devasta. Do ponto de vista social, a esquistossomose só não causa mais estrago que a malária, outro mal transmitido por parasitas.

Miriam tem uma família criativa. Mãe do roteirista Daniel Tendler e cunhada do cineasta Sílvio Tendler, ela tratou sua pesquisa como uma obra de arte. Ela também sabe que a saga em busca de uma vacina no Brasil tem ingredientes de um roteiro cinematográfico, com uma heroína e vários vilões. Entre eles, cientistas estrangeiros céticos quanto à capacidade brasileira de desenvolver uma vacina de ponta e o desinteresse da indústria por um produto voltado para pobres. No meio da história, os desafios da heroína incluem a falta de peças de reposição de equipamentos importados, que chegou a atrasar parte dos trabalhos de Miriam. Os estudos da equipe do Instituto Oswaldo Cruz abrem portas para outros avanços científicos, que não se limitam a dar esperança a vítimas da esquistossomose nas comunidades mais carentes. A vacina contra a doença provou ser também eficaz no combate à fasciolose, a principal verminose do gado. A possibilidade de usála numa área mais sensível para a economia atraiu o interesse de vários laboratórios particulares, que estabeleceram uma parceria com o Oswaldo Cruz. A abrangência trouxe recursos para a pesquisa, mas o foco de Miriam sempre foi a vacina humana.
“O descaso com a esquistossomose foi o que me prendeu ao assunto”

Enquanto a vacina não é produzida em larga escala, aos 62 anos Miriam nem pensa em se aposentar. Ela seguirá dividindo seu tempo entre o trabalho e suas outras paixões: nadar diariamente e conviver com os netos, Olívia, de 2 anos, e Caetano, de 6. Sobre ter recebido destaque por ser uma mulher no mundo científico, tradicionalmente masculino, ela hoje admite seu papel de pioneira. “Antes me incomodava, mas agora vejo que foi importante. A mulher luta para ser aceita, e o interesse por mim ajudou a dar destaque à pesquisa.” (Época, 17/6)

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